domingo, 23 de janeiro de 2011

Das Trevas Para a Luz

Doce é a luz e agradável aos olhos ver o sol!




http://www.biblio1.com.br/resultado.php?ISBN=9788590714002


Titulo:

DAS TREVAS PARA A LUZ: UM GRITO PARA A LIBERDADE

Autor: LUIZ MARCO DE OLIVEIRA
Edição: 1
Ano: 2007
Local: CAJATI
Suporte: PAPEL
Páginas: 104
Editora: LUIZ MARCO DE OLIVEIRA
ISBN:

9788590714002

Das Trevas para a Luz

Autobiografia de Luiz Marco


Prefácio

É com imensa alegria que apresento a vocês "Das TREVAS PARA A LUZ", uma autobiografia escrita por Luiz Marco. Neste trabalho, Luiz compartilha sua jornada pessoal, repleta de desafios, aprendizados e, acima de tudo, transformações. Em um mundo em que as relações familiares estão sob constante vigilância e debate, esta obra chega em um momento oportuno, trazendo reflexões valiosas sobre o vínculo entre pais e filhos.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem sido um marco na busca por garantir que as crianças tenham seus direitos assegurados dentro do ambiente familiar. Porém, é importante lembrar que princípios que regem as relações interpessoais já estão presentes há milênios nas escrituras sagradas. A Bíblia, em Malaquias 4:6, nos ensina que a verdadeira benção de Deus em uma família e o fortalecimento de seus laços dependem, em última análise, de corações convertidos e dispostos a amar e entender uns aos outros.

"Das TREVAS PARA A LUZ" é mais do que uma simples narrativa: é uma verdadeira bênção que Luiz Marco compartilha com cada um de nós. Sua história é um testemunho de resiliência, fé e transformação, capaz de tocar e inspirar todos aqueles que buscam um caminho de compreensão e harmonia nas suas próprias relações familiares.

Parabéns aos leitores por se aprofundar nessa leitura; suas vidas estão prestes a receber uma nova luz. E parabéns a você, Luiz Marco, por sua coragem e comprometimento em compartilhar sua verdade. Que este livro sirva como uma ferramenta para o crescimento espiritual e emocional de todos que o lerem.

Com carinho,

Pr. Valmir da Silva Alves
Doutor em Divindade e Bacharel em Teologia 

Dedicatória

Este livro é um reflexo dos laços que me unem à minha família. Por isso, dedico com amor à minha querida esposa Vanderléia e ao meu adorável filho Vinícius Galikoski. Vocês são as luzes que iluminam minha vida e as razões pelas quais busco sempre ser uma pessoa melhor. Agradeço por cada momento compartilhado, por cada sorriso e por todo o apoio nos últimos onze anos.

Com carinho,

Luiz Marco
Autor

Introdução


Trago em minhas lembranças os enfados da vida outrora. Muitas foram as noites de trevas que vivi, marcadas por conflitos emocionais durante minha infância e juventude. Apesar disso, sempre lutei para transpor essas barreiras em meu caminhar. Quando passei a conhecer verdadeiramente o Cristo ressuscitado, percebi que ainda havia possibilidade de transformação de vida em Deus.

 

Hoje, observo tantas pessoas que, por falta de conhecimento desse Deus tão grande e infinito, continuam vivendo em um mar de solidão e desespero. Muitas vezes pensei ter chegado ao fundo de um poço profundo, sem chance de me levantar, acreditando que o suicídio seria a única saída. Mas, sempre na hora certa, Deus se manifestava com Poder e Glória, rompendo a malignidade que pesava sobre meu coração. Através de um poder sobrenatural, quando menos esperava, lá estava eu de pé novamente, trilhando caminhos seguros diante de Deus e dos homens.

 

Atualmente, não encontro palavras para expressar as maravilhas que Deus tem feito em minha vida e na vida da minha família. Somos mais que vencedores em Cristo Jesus. Por mais que o inimigo tente nos afligir com trevas, estamos debaixo da proteção deste Deus infinito, por intermédio do Sangue de Jesus derramado na Cruz do Calvário.

 

Se você se encontrar em meio à escuridão, sem enxergar o fim do túnel, acredite: Deus está pronto para tirá-lo também desta condição de humilhação e desespero. Se já bateu em todas as portas sem encontrar respostas para seu sofrimento, dê um passo em direção a Jesus. Foi para isso que Ele veio: salvar a humanidade do pecado e da devassidão que Satanás tem imposto sobre os homens.

 

É tempo de nos entregarmos verdadeiramente a Deus e vivermos nas dimensões espirituais. É nesse poder que podemos todas as coisas, desde que façamos a Sua vontade em espírito e em verdade, mantendo a mente de Cristo em toda nossa vida. Vivendo conforme os requisitos que Deus nos adverte em Deuteronômio 28:1-14, experimentaremos dias de abundância em todas as áreas de nossa existência, pois Deus é fiel e vela pela Sua Palavra. Depende apenas do nosso querer.

 

Sendo eu testemunha desse Cristo ressuscitado, apresento esta autobiografia, que contém a história da minha vida. Espero que você compreenda o verdadeiro significado de viver uma vida com Deus.

 

Boa leitura, na paz de Cristo Nosso Senhor!

Luiz Marco
Autor



Doce Luz

 

Doce é a luz, e agradável aos meus olhos ver o sol,

Mas não esqueço que houve dias de trevas,

Na escassez em que vivi, diante de uma obscuridade sem fim,

O caos elevou minha vida a um calabouço assombroso.

 

Mesmo em meio à perplexidade,

Não perdi minha trajetória,

Pois dentro de mim

Havia subsídios guardados no mais profundo do meu ser.

 

Com tenacidade que invade a alma,

Passei a obsecrar humildemente a Deus,

Sentindo o suave sussurrar d’Ele ao meu ouvido,

Trazendo serenidade, paz e a esperança de uma vida melhor.

 

Sou um milagre de Deus,

Por ter suportado o inverno álgido da minha alma.

Agora, tudo ao meu redor parece flóreo,

E quando veio o sol, com sua luz resplandecente, passei a ver Jesus.

Agora estou compenetrado com o brilho desta luz.

 

Trago uma filosofia em minha alma:

“Querer é poder!”

1º

Das Trevas para a Luz



Autobiografia

Nasci gêmeo de meu irmão Marcos Antônio, no dia 23 de setembro de 1966, em Santo Amaro, São Paulo. Crescer em um lar evangélico tinha seus altos e baixos, e, ao refletir sobre minha vida agora, aos 40 anos, percebo que é essencial compartilhar os momentos que moldaram quem sou. Fui parte de uma família composta por cinco irmãos, e cada um de nós trouxe suas próprias experiências, dificuldades e alegrias para a contextura da nossa história.

A infância, como é comum a muitos, foi uma montanha-russa de emoções. Lembro-me claramente das tardes ensolaradas em que corríamos pelo bairro, das risadas inocentes e dos sonhos de um futuro brilhante. No entanto, a vida também teve seus desafios. Em meio às luzes e sombras, enfrentei momentos de acabrunhamento, dos quais não posso esquecer. Essas vivências difíceis me ensinaram lições valiosas que gostaria de compartilhar, na esperança de que possam servir de exemplo e inspiração a aqueles que, como eu, enfrentam lutas e se esquecem do próprio valor e da grandeza de Deus em suas vidas.

Houve tempos em que a escuridão parecia se instalar definitivamente em meu ser e as dúvidas permeavam meus pensamentos. Porém, mesmo em meio a essa obscuridade, havia uma chama de esperança que nunca se apagou. Aprendi a buscar em Deus conforto e direção, e essa busca se tornou minha âncora nos dias tempestuosos. Eu queria acreditar que cada desafio poderia, de alguma forma, me aproximar do melhor que a vida tinha a oferecer.

Ao olhar para trás, percebo quão importante é agradecer a Deus pelo milagre que somos, todos nós. Estamos aqui, lutando, vivendo e aprendendo, e essa jornada é sagrada. Espero que, com esta narrativa, outras pessoas consigam ver suas próprias histórias refletidas em minhas palavras e encontre a força para agradecer, mesmo nos dias mais difíceis. Afinal, cada um de nós é um testemunho do amor e da graça de Deus.

Esta é apenas uma parte da minha história, um convite para que conheçam o que vivi e como cada experiência contribuiu para o meu crescimento espiritual e emocional. Que todos possam aprender a reconhecer as bênçãos em meio às dificuldades e entender que, mesmo quando a vida parece desmoronar, sempre há esperança e redenção. 


Neste livro, falarei sobre meus pais, minha infância, adolescência, profissão, casamento e, acima de tudo, minha fé religiosa. Cada um desses aspectos moldou quem eu sou e desempenhou um papel fundamental na busca por um significado mais profundo.

Sou grato a Deus por estar vivo e por ter a oportunidade de contar um pouco dessa trajetória. Desde a infância, vivi momentos que, embora difíceis, foram cruciais para a minha formação. Experimentei a pobreza e a miséria, mas também conheci a riqueza de experiências e a satisfação de pequenas conquistas.

Esses relatos que você encontrará aqui são absolutamente verdadeiros e reais. Não há espaço para alucinações ou exageros, pois minha intenção é transmitir autenticidade e sinceridade. O que aprendi ao longo do caminho me ensinou que, independentemente das dificuldades, Deus nunca nos desampara. Sua presença sempre foi um pilar de força e esperança em momentos de incerteza.

Espero que minhas palavras sirvam como um instrumento para uma forte reflexão sobre o que somos nesta terra e sobre a graça que nos envolve a cada dia. Acredito que cada vida tem seu valor e cada história, um significado. Neste relato, convido você a me acompanhar na jornada que já percorri e a perceber que, mesmo em meio aos desafios, é possível encontrar luz e propósito.

Com gratidão, compartilho minha história com você, na esperança de que possa inspirá-lo a reconhecer a beleza e a importância da própria vida.

2º

 Minha infância



Eu e meu irmão gêmeo éramos tão pequeninos que cabíamos na palma de uma mão, ou até mesmo em uma caixa de sapatos. Nossa chegada ao mundo foi uma surpresa para a nossa mãe, que já tinha um filho “José Augusto”, nosso irmão mais velho, com apenas um ano de idade. A história da nossa família começou a se desenrolar de forma intensa e desafiadora naquele momento.


Cuidar de três crianças tão pequenas ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil, e acredito que nossa mãe, sem muita preparação e apoio psicológico, acabou enfrentando uma série de distúrbios emocionais. As dificuldades diárias de equilibrar as demandas de cada um de nós, somadas à pressão de ser mãe de três filhos todos tão próximos em idade, certamente deixaram marcas em sua saúde mental e emocional.

Meus pais enfrentaram grandes desafios em busca de uma vida melhor e, com muito esforço, conseguiram erguer a casa própria que se tornaria o palco das nossas vivências e da nossa história. Ao longo do tempo, a condição financeira da família melhorou, proporcionando-nos uma estrutura mais sólida. Contudo, por trás dessa fachada de sucesso, havia uma dor que nem sempre era aparente.

Minha mãe, ao gerar filhos gêmeos, carregava um trauma profundo que a acompanhou por muitos anos. Essa experiência a afetou de maneiras que nós, criança e bebê na época, não podíamos compreender plenamente. Quando meu irmão e eu começamos a ter consciência do que nos cercava, a realidade se revelou triste e dolorosa. Era perceptível como, muitas vezes, éramos tratados com indiferença, um reflexo do sofrimento emocional da nossa mãe.

A relação com meu irmão mais velho era marcada por uma comparação constante, e em muitas ocasiões, nós éramos deixados de lado. Com apenas seis anos, consegui notar a disparidade em como éramos vistos. Enquanto meu irmão mais velho recebia atenção e carinho, nós, os gêmeos, éramos quase invisíveis aos olhos de quem deveria nos cuidar.  Essa sensação de desprezo foi um peso que carregamos por muito tempo, e, ao refletir sobre isso, compreendo que as injustiças que uma criança sofre podem ter um impacto profundo e duradouro. 

O que se faz a uma criança não pode ser apagado; as lembranças e as cicatrizes ficam gravadas na alma, e mesmo o tempo não consegue dar conta desse trabalho.

Cresci em um ambiente repleto de desafios e traumas que deixaram cicatrizes em minha alma. Meus primeiros anos foram repletos de dor, e os apelidos que carregava eram apenas reflexos de um tratamento cruel e desumano.
Tinha apenas seis ou sete anos quando eu e meu irmão ficávamos trancados em um porão escuro, isolados do mundo e sem qualquer proteção. Meu irmão e eu éramos forçados a utilizar uma vasilha para nossas necessidades, e a cruel realidade era que, ao final do dia, éramos obrigados a beber a urina que deveria ser descartado. Era um ciclo de tortura que nos atormentava tanto fisicamente quanto emocionalmente. Quando nossa mãe saía para trabalhar, nós éramos amarrados a uma cama, como se fôssemos objetos inanimados, sem direitos ou desejos.
Hoje, como pai, frequentemente me vejo relembrando essas experiências em sonhos perturbadores. Sonhos em que me vejo agredindo meu próprio filho, como um eco do que vivi na infância. Ao acordar, sou tomado por um alívio profundo ao perceber que aquilo não é real. Esses pesadelos, no entanto, não fazem mais do que me lembrar da responsabilidade que tenho em minhas mãos. O amor que sinto por meu filho é imensurável e, com ele, surge a determinação de quebrar esse ciclo. A cada dia, aprendo a amar de maneira mais genuína, buscando construir um ambiente saudável e amoroso, livre das sombras do passado.

A vida é repleta de eventos e palavras que deixam marcas indeléveis. Há coisas que preferia esquecer; memórias que, se não fossem lançadas ao mar do esquecimento, poderiam obscurecer minha jornada. Compartilhar minha história é, portanto, um ato de libertação. É um desejo de não só relatar o que vivi, mas também de tornar visível o caminho de cura que procuro trilhar.
Desde muito cedo, percebi a idolatria que minha mãe tinha pelo meu irmão mais velho. Essa adoração o transformou em um pedestal inatingível, enquanto eu e meu irmão éramos deixados em segundo plano.

Aos domingos, a escola dominical era um martírio. Com apenas sete anos, me via obrigado a decorar textos longos para recitar. Lembro-me do medo que sentia ao voltar para casa; se eu gaguejasse, sabia que a surra me aguardava. As noites de domingo na igreja eram igualmente angustiantes. O cansaço pesava em nossos olhos, e nós, crianças pequenas, éramos acordados com beliscões que deixavam marcas. As lágrimas que brotavam dos nossos olhos eram rapidamente reprimidas, pois chorar era um ato que não podíamos permitir.

Às vezes, sentia que a educação religiosa que recebia não era um ensino de amor, mas uma tortura que alimentava apenas o medo. Para mim, isso não soava como a mensagem de um verdadeiro evangelho, mas sim como uma brutalidade que deixava marcas profundas em duas crianças carentes de amor e apoio.

Com o passar dos anos, a situação em casa se agravou. Iniciei minha trajetória escolar e, com ela, uma nova fonte de humilhação. Meus trajes e condições financeiras atraiam olhares de escárnio, e a zombaria se tornava parte do meu cotidiano. Entretanto, entre os pesares, havia poucos momentos de alegria e descontração em família. Um desses momentos aconteceu quando minha mãe decidiu comprar um sítio em Embu-Guaçu. A mudança trouxe a esperança de um recomeço, e eu sentia que estávamos deixando para trás o sofrimento da cidade grande. No entanto, essa nova vida rapidamente se tornou uma desilusão.

Certa vez, aos nove anos, encontrei uma cobra. Quando tentei me aproximar, ela se escondeu em um buraco. Sentindo-me cansado da vida e buscando uma forma de escapar da dor, desejei que a cobra me mordesse. A desesperança tomou conta de mim, revelando o quão profunda era a minha angústia. Hoje, ao relembrar esse episódio, compreendo que esses sentimentos eram o reflexo de um lar despedaçado e da falta de amor que vivenciávamos.

Por mais de oito vezes, meu irmão gêmeo decidiu fugir de casa, não aguentando mais a carga emocional que nos era imposta. A idolatria de nossa mãe por José Augusto se convertia em um fardo pesado, sufocante. Em uma tarde de sábado, a pressão se tornou intolerável para ele. Enquanto nossa mãe dormia, meu irmão primogênito arrumou uma pequena trouxa com algumas de suas coisas e saiu, em busca de liberdade. Quando minha mãe acordou e notou sua ausência, o desespero tomou conta dela. Descalça, ela saiu em sua busca, enfrentando pedras, que deixaram seus pés e joelhos cobertos de bolhas e sangue.

Ouvindo sobre a fuga de meu irmão, meu pai decidiu intervir. Ele pegou o carro e partiu à procura de ambos. Enquanto isso, José Augusto havia caminhado mais de seis quilômetros carregando o peso de sua trouxa, um simbolismo doloroso do fardo que carregávamos todos os dias. Finalmente, meu pai conseguiu encontrar os dois e os trouxe de volta para casa, mas a cena que se desenrolou diante de mim era angustiante. Ver minha mãe tratar suas feridas, tanto físicas quanto emocionais, foi um momento de forte reflexão.

Diante daquela situação, não pude deixar de me perguntar se esse seria o último choque necessário para que minha mãe olhasse para sua própria trajetória e para Deus. O peso de sua rigidez pareciam ter blindado seu coração. Infelizmente, as marcas deixadas por uma infância repleta de dor e desprezo continuam presentes, trazendo à tona questões fundamentais sobre o amor, a empatia e a verdadeira essência da parentalidade.

Só quem viveu experiências tão intensas pode compreender a complexidade das relações familiares e a profundidade dos sentimentos que nos moldam. Hoje, ao olhar para trás, vejo que cada um de nós, como filhos, busca um lugar ao sol, mesmo que esse caminho seja árduo e repleto de pedras. A esperança, embora frágil, restaura um pouco de fé em um futuro onde as relações possam ser mais justas e cheias de amor.

Havia momentos em que a dor se tornava tão intensa que me perguntava se algum dia conseguiria escapar da realidade que vivia. Um episódio que me marcou profundamente foi uma discussão entre meus pais que culminou em uma cena que poderia ter mudado para sempre o curso da minha vida.

Em um dia fatídico, minha mãe estava furiosa. Era uma raiva que costumava se direcionar a nós, os filhos, e em um momento de descontrole emocional, meu pai implorou que eu me ajoelhasse. Ele, impotente e desgastado pela constante tortura emocional que vivíamos, pegou um machado e, em um ato de desespero, ameaçou acabar com aquela situação de dor. Aquela cena ficará gravada em minha memória: a pressão do medo se misturava ao sentimento de abandono. Quando minha mãe, percebendo o que estava prestes a acontecer, segurou o machado, um alívio momentâneo percorreu meu corpo. Mas a verdade era que a situação a que estávamos submetidos era insustentável. Com apenas dez anos, me sentia um farrapo, despojado de qualquer esperança.
Durante a infância, eu e meu irmão, em especial, carregávamos pesadas responsabilidades. Nos campos do sítio, éramos alvos de cobranças incessantes e nos obrigávamos a realizar tarefas que iam além da nossa capacidade infantil. Com apenas sete anos, já lavava louças e limpava a casa, e aos doze anos, a carga aumentou e passei a ser responsável até pela lavanderia da família. Despertávamos antes do sol nascer para trabalhar nas plantações, carregar lenha e roçar os campos. Lembro-me das vezes em que me machucava no trabalho. O medo de ser punido por uma lesão, que era frequentemente vista como uma fraqueza, fazia com que eu me sentisse ainda mais preso em um ciclo de opressão. Antes mesmo de receber o cuidado necessário, eu recebia uma surra por ter me ferido.

No sítio, havia muitas criações: galinhas, patos e outros animais que faziam parte da nossa infância. Meu irmão Marcos, ainda pequeno e sem compreender as consequências de seus atos, costumava jogar as galinhas na água para que nadassem, acreditando que seria apenas uma brincadeira. Mas as pobres aves não resistiam e acabavam morrendo afogadas. Quando minha mãe chegava do trabalho e descobria o que havia acontecido, a reação dela era severa: mergulhava meu irmão várias vezes dentro de uma banheira cheia d’água, como forma de puni-lo.

Quando minha família se mudou para a cidade, as dificuldades não desapareceram; pelo contrário, intensificaram-se. Eu e meu irmão nos aventurávamos nas ruas, vendendo verduras, bolos feitos pela minha mãe, cachorro-quente, sorvetes, frutas e até peixes. Essas experiências, apesar de duras, eram também uma forma de buscar a liberdade que tanto almejava, sair um pouco daquele espaço doentio.
Porém, a interação constante com outras pessoas nem sempre era acolhedora, eu vivia em um estado constante de medo, frequentemente perseguido por outros jovens em busca de me agredir. Tornava-me alvo de zombarias e gozações, e as humilhações que enfrentava em casa se refletiam na maneira como era tratado fora dela. As marcas das agressões físicas e emocionais que sofri deixaram cicatrizes profundas. Lembro-me de momentos constrangedores, como quando era forçado a vestir roupas que me envergonhavam, como uma saia sobre a calça, para poder lavar as roupas no tanque. Essas situações me faziam sentir exposto e vulnerável, proporcionando uma visão amarga da infância que deveria ser plena de alegria. O terror tornou-se meu companheiro inseparável, fazendo com que eu vivesse com medo da minha própria sombra. Essa fase difícil moldou meu caráter, ensinando-me lições valiosas sobre resiliência e a importância de lutar por meus sonhos.
Hoje, ao refletir sobre esse passado, percebo que as cicatrizes que carrego não são apenas de dor, mas de superação. A luta que enfrentei na infância continua a ressoar em mim, instigando-me a buscar um futuro onde a compaixão e a empatia estejam sempre à frente. As memórias de meu passado, mesmo sombrias, são um lembrete do que é essencial: amor, compreensão e um olhar gentil para o próximo.

Não me culpo pelo passado que me moldou, mas não posso deixar de reconhecer que minha infância foi marcante e difícil.

Os castigos não eram apenas físicos, mas psicológicos. A cada erro, a cada queda, havia uma surra com fios de ferro ou cabos de vassoura — tudo isso sob os olhos indiferentes de um pai que, muitas vezes, também era vítima daquela tirania. Recordo-me de momentos em que éramos obrigados a mastigar pimenta como forma de punição. E quando não éramos castigados por nossa mãe, meu irmão mais velho se alternava neste papel, sufocando-nos com travesseiros como se fôssemos brinquedos para sua diversão.

Hoje, não relato essas experiências em busca de compaixão ou revolta. Minha jornada não me transformou em uma pessoa amarga; pelo contrário, sou eternamente grato a Deus. Ele me conferiu forças que nem eu sabia que possuía para enfrentar tais adversidades. Olhando para o presente, percebo como fui moldado pelas dificuldades. Tornei-me uma pessoa bem-sucedida, em parte, pela resiliência que adquiri.

Às vezes, questiono-me: o que teria sido de mim, se não fosse pelo amor de Deus? Eu poderia ser um homem sem rumo, um viciado ou alguém desprovido de esperança. Em vez disso, sou alguém que tem aprendido a amar e a ser amado, alguém que se deixa envolver por um amor sublime que transforma a vida.

Acredito que cada um de nós carrega em si a capacidade de superar, de renascer. E, é por isso que escrevo. Para que minha história sirva de reflexão a quem se encontra perdido, a quem pensa em desistir. Pode parecer que a dor é insuportável, mas sempre há um caminho de luz que nos guia. «Porque os que estão em Cristo Jesus, novas criaturas são. As coisas velhas se passaram, e eis que tudo se faz novo» (II Coríntios 5:17). Que minha existência, por mais sofrida que tenha sido, inspire outros a não desistir e a buscar a renovação que só o amor pode proporcionar

3º

 A morte de meu irmão mais velho

A Última Tarde de Sol

Diante de todos os sofrimentos vividos, ainda me restava a esperança de ser feliz no sítio da família. As árvores, as flores e o canto dos pássaros eram os elementos que pintavam o quadro da minha infância. Contudo, o destino reservava-me uma amarga surpresa que mudaria minha vida para sempre.

Com apenas doze anos, nunca poderia imaginar que estaria prestes a viver uma experiência que superaria em dor tudo o que já havia enfrentado. Era um dia comum, ensolarado, marcado por um calor delicioso que convidava todos a se refrescarem nas águas do rio que serpenteava pelas margens do nosso sítio. Mas nesse 9 de fevereiro de 1979, a alegria se transformaria em desespero.

José Augusto, meu irmão mais velho, sempre cheio de vida e alegria, decidiu ser o primeiro a mergulhar nas águas turvas. Ele tinha apenas treze anos, era uma criança inteligente e cheia de sonhos. Quando eu, meu irmão gêmeo e nossa mãe chegamos ao rio, uma cena que chacoalhou meu coração, José Augusto estava à deriva, se afogando.

Com o instinto de um verdadeiro herói, minha mãe se lançou na água, sem hesitar, na tentativa de salvar seu filho amado. O desespero tomou conta de mim, enquanto via meu irmão gêmeo, também desesperado, tentar resgatar nossa mãe, que desmaiou na água. Eu, paralisado pelo terror, conseguisse apenas olhar, impotente, enquanto José Augusto emergia pela última vez, seus olhos ainda refletindo um último pedido de ajuda.
Num momento de lucidez, consegui reunir forças e corri em direção à casa, chamando por meu pai, implorando para que ele viesse salvar aqueles que amava. A angústia daquele percurso pareceu se arrastar uma eternidade, mas consegui trazê-lo a tempo. Meu pai, com sua coragem inabalável, pulou nas águas turbulentas e conseguiu tirar minha mãe e meu irmão gêmeo, ainda com vida, mas a tragédia não parava ali. Ele voltou para resgatar o corpo de José Augusto, aquele que, em um instante, havia se transformado em memória e saudade.

O sítio exuberante, um verdadeiro paraíso repleto de vida e cores vibrantes. Ali, as verduras e legumes cresciam em abundância, as flores decoravam os canteiros com seu perfume suave e as árvores frutíferas povoavam o pomar, oferecendo uma variedade de frutas frescas e deliciosas. O som alegre dos animais ecoava pelo ar: porcos brincando no mangueirão, vacas pastando tranquilamente, ovelhas e cabritos saltitando, cavalos relinchando, e um bando de patos e galinhas vasculhando o solo em busca de grãos.

Entretanto, esse quadro idílico começou a se desfazer. O que antes era um lugar de prosperidade logo se transformou em um deserto sem vida. Uma nuvem de infortúnio pairou sobre o sítio, e o brilho que outrora iluminava, foi substituído pela sombra da desolação.

Nesse cenário sombrio, com apenas doze anos, vi-me abruptamente lançado em um papel ingrato e pesado, o de responsável. As responsabilidades triplicaram, por tarefas domésticas e o cuidado dos meus irmãos mais novos. Elizeu Junior, um recém-nascido frágil e indefeso, dependia de mim para receber carinho, alimento e atenção. Ao meu lado estava Eliezer, com apenas seis anos, que também buscava conforto e segurança em um mundo que estava se desmoronando.

Enquanto carregava essa carga, a realidade me ensinava a força que não sabia que possuía. A cada dia, enfrentava desafios que testavam meu espírito e resistência. Aprendi a lidar com as tarefas do lar, cultivando uma horta que resistia bravamente à aridez emocional que nos cercava. Cuidava de meus irmãos com a entrega de um verdadeiro guardião, tentando, de todas as formas, preservar um pouco da alegria e da esperança que ainda restavam.

Os dias muitas vezes eram longos e pesados, mas, mesmo nas trevas, busquei encontrar pequenas fagulhas de luz. Com um sorriso tímido, tentei trazer um respiro de normalidade à nossa rotina, utilizando a imaginação para transformar o que restava de nosso lar em um espaço acolhedor.

O que eu não sabia, no entanto, era que, ao assumir essa responsabilidade ainda tão jovem, estava também semeando em meu coração a força que me acompanharia ao longo da vida. E mesmo que o sítio estivesse enfrentando uma tempestade de dificuldades, cada dia se tornava uma lição de resiliência, amor e esperança. Quando o futuro se apresentava incerto, a coragem de um garoto de doze anos começava a desenhar um novo caminho, com a promessa de que a luz, mesmo que distante, poderia um dia voltar a brilhar sobre nosso lar.

Após a venda do nosso sítio, minha família e eu nos mudamos para cidade, onde encontramos um novo lar em um terreno com cinco casas já construídas por meu pai. Eu era apenas um jovem de treze anos, ingênuo em relação ao significado do dinheiro, mas em um único momento, ao ver um pacote de notas que meu pai havia recebido, uma voz interior sussurrou-me que um futuro promissor estava à minha espera, muito além da quantia que eu via. Essa experiência mística se aninhou em minha memória e me impulsionou a lutar, sempre com honestidade, fé e amor no coração.

A vida na cidade trouxe consigo novas rotinas, mas também uma avalanche de frustrações e tristezas. O luto pela morte de meu irmão foi um fardo que pesou especialmente sobre minha mãe. Desesperada para encontrar respostas e conforto, ela se lançou à busca de alternativas em várias tradições religiosas, sem abrir mão de sua base evangélica. A dor de perder um filho a levou a explorar o espiritismo. E, movida por uma senhora, esposa de um pastor que, em meio à sua dor, lhe disse que o espírito de meu irmão estava agarrado por forças malignas no inferno.

As palavras daquela mulher, que prenunciavam a tragédia, atormentaram a mente da minha mãe, levando-a a uma crise de fé. Mesmo ciente de que a salvação é o principal propósito na vida de uma pessoa, ela se viu perdida, navegando entre os templos espíritas, onde os espíritos sem paz corroboravam suas angústias. Eles diziam a ela que a questão envolvendo meu irmão pertencia apenas a Deus. A cada visita que fazia a esses locais, mais incerta ela se tornava.

Um detalhe que sempre lembraremos é que, uma semana antes de partir, meu irmão teve um sonho revelador. Ele viu uma mão gentil recolhendo uma rosa de um jardim, um símbolo de beleza efêmera que prenunciava sua partida. Ele já havia sido batizado nas águas e participava ativamente da Santa Ceia. O hino da Harpa Cristã que mais amava cantar, "O Pai bondoso nº314", ecoa em minha mente até hoje: “Um Pai bondoso tenho lá no céu, a Ele breve eu irei!” Essas palavras, cheias de esperança e certeza, se tornaram um farol em meio à escuridão que nos cercava.

Minha mãe, tomada pela dor e pela perda, não conseguia aceitar a morte do meu irmão. A angústia foi tão profunda que logo se tornou insuportável, levando-a a um colapso emocional que exigiu internação em um hospital psiquiátrico. Infelizmente, o tempo que passou lá não ajudou, e quando voltou para casa, sua mente ainda estava atormentada pela tristeza.

Seguiram-se anos sombrios. Ela, na sua busca angustiada por alívio, nos colocava em uma posição impossível, eu e meu irmão Marcos éramos obrigados a passar horas ou dias de joelhos, orando para que Deus a levasse desta vida, para ver meu irmão no céu. Era uma tortura silenciosa. A pressão e o sufocamento emocional que ela nos impunha eram imensos e, se não atendêssemos ao seu desejo, o resultado eram castigos severos e surras constantes. A facilidade com que as esperanças se transformavam em cobranças pesadas nos fazia sentir como prisioneiros, tanto de sua dor quanto da nossa própria impotência.

Com o tempo e a experiência, percebo que a dor que minha mãe vivenciou, embora horrenda, me moldou de uma maneira que talvez eu nunca compreenda plenamente. Hoje, ao olhar para meu papel como pai, sinto um peso ao lembrar como minha infância foi marcada por um ciclo de tristeza. Entretanto, essa história não é apenas uma narrativa de sofrimento, mas uma lição de resiliência. Por tudo que suportei, sei que muitas pessoas, diante de pequenas frustrações da vida, podem ser levadas a abandonar seus sonhos. Meu recado para elas é, se você tem um ideal, não desista, por mais desafiador que seja; nunca é tarde para recomeçar.

Após muitos anos de desespero e lágrimas, Deus finalmente começou a restaurar a mente da minha mãe. Sua misericórdia se manifestou através da concessão de Dons Espirituais, permitindo que ela começasse a viver de acordo com Sua vontade. Começaram a ocorrer milagres impressionantes por meio de suas orações—curas, libertações e transformações que eu testemunhei, mas que mal cabem em palavras. Essa etapa de recuperação durou entre oito e nove anos e, durante esse tempo, minha mãe se tornou um verdadeiro canal de bênçãos.

Acredito que todo esse processo não foi apenas para a cura dela, mas também para que ela pudesse anos depois, encontrar meu irmão em um lugar de paz, no céu. A jornada de fé e superação me ensinou que Deus deseja nos oferecer as bênçãos que tanto almejamos, mas que primeiro precisamos ser moldados e transformados, produzindo frutos dignos de arrependimento. Essa lição, embora dolorosa, é o que levo comigo, como um legado de esperança e perseverança.

A dor da perda e o caos emocional que se seguiu criaram um desafio imenso, mas também moldaram a fibra do meu caráter. Aprendi que a fé e a busca pela verdade são essenciais para superar os momentos difíceis. Essa experiência me ensinou que a vida é um constante aprendizado, e que, mesmo após as tempestades mais severas, sempre há a possibilidade de um renascimento.

Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto minha trajetória foi influenciada por aqueles anos turbulentos. A resiliência, a fé e o amor que trago em meu coração são heranças de um passado que, embora doloroso, me preparou para enfrentar os desafios da vida de maneira íntegra. E foi com essa mesma fé que continuei a buscar o meu lugar no mundo, sempre acreditando que um futuro melhor estava por vir.

4º

 A morte de minha mãe

Entre Milagres e Lições de Vida


Minha mãe, uma mulher de fé, como muitos, sonhava em ver reunidos os seres amados no céu. Contudo, esse sonho traria consequências profundas que moldariam a vida de todos ao seu redor.

Cerca de 22 anos atrás, meus pais decidiram abandonar a correria da vida em São Paulo e escolheram a tranquilidade do interior, comprando um sítio em Cajati. Deus, em Sua infinita sabedoria, havia um plano para minha mãe. Ela se tornou um instrumento de milagres, acolhendo pessoas em busca de curas e orações. No entanto, essa luz que emanava dela também atraía sombras. Críticas e desconfianças surgiam, principalmente de alguns que se diziam evangélicos, rotulando-a injustamente. Para eles, a manifestação dos Dons Espirituais parecia estranha e, por isso, acusações emergiam, como um teste à sua fé.

Após quatro anos de dedicação e trabalho incansável, a vida de nossa família mudou drasticamente. Um acidente automobilístico, que parecia ter sido arquitetado pelo destino, se abateu sobre nós. Na fatídica data de 1º de agosto de 1987, minha mãe não sobreviveu ao colidir nossa Kombi azul com um caminhão na BR-116. Enquanto meu irmão caçula, Elizeu, e meu pai escaparam com vida, minha mãe partiu para a eternidade, deixando um vazio imenso em nossos corações. Apesar das circunstâncias, vi a mão de Deus operando: enquanto a Kombi ficou irreconhecível, vidas foram poupadas.

Muitos podem questionar o porquê de tamanha tragédia em um lar cristão. Acredito que, em seu amor profundo e talvez desmedido, minha mãe havia idolatrado meu irmão José Augusto, a ponto de Deus o tirar dela e, Deus em sua soberania, a chamou à Sua presença, cumprindo o desejo de que ela pudesse reencontrá-lo no céu. Aprendi que tudo nesta vida é passageiro, e o que realmente importa são as relações que construímos e a nossa conexão com Deus.

A história de minha mãe é um alerta necessário. Muitas vezes nos deixamos levar por prioridades erradas, colocando em primeiro lugar bens materiais, conquistas ou até mesmo os filhos, sem reconhecer o único digno de nossa adoração: Deus. Ao longo da dor e da perda, compreendi que cada um de nós colhe aquilo que planta. Minha mãe colheu em lágrimas e sofrimento, mas também em amor e devoção.

O amor que sempre nutri por ela nunca diminuiu. É essa mesma paixão que me impulsiona a escrever este livro, uma obra que realiza o sonho dela de compartilhar suas vivências e as lições que aprendeu. Acredito que, com isso, estou dando continuidade ao legado que ela iniciou em vida. Através de suas histórias e ensinamentos, que possam tocar o coração de muitos e promover reflexões sobre o que realmente importa.

Se não fosse por sua influência, talvez eu não tivesse a mesma força e resiliência que carrego hoje. Meu desejo é que as palavras aqui escritas inspirem outros a aprofundarem sua própria jornada espiritual e a reverem suas prioridades. Afinal, a vida é efêmera, e o que nos resta é viver com amor, fé e, principalmente, conexão com Aquele que nos criou. Que possamos todos encontrar paz e propósito em nossas vidas, sempre lembrando de adorar o Deus que nos guia e protege. 

5º

 O sepultamento de minha mãe

O dia que marcou a despedida da minha mãe foi um dos mais difíceis da minha vida. Pessoas de todos os lugares, com o coração pesado pela dor da perda, começaram a chegar ao velório, prestando suas condolências e demonstrando solidariedade em um momento de tristeza profunda. Amigos e familiares vieram de diversas partes do Brasil — São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Minas Gerais, Santa Catarina e de toda a região do Vale do Ribeira — todos reunidos em torno daquela vila, onde o corpo da minha mãe estava sendo velado.

A caminho do sepulcro, em meio aos labirintos daquele cemitério, um turbilhão de pensamentos invadia minha mente. Era difícil aceitar que o corpo da minha mãe, coberto por aquele caixão, estava prestes a ser enterrado, para nunca mais ser visto na face da terra. O peso da perda era imensurável, e as reflexões se estampavam nos rostos de todos que ali estavam. Ao olhar ao redor, via lágrimas escorrendo e ouvia sussurros de adeus, ecoando em um momento de silêncio respeitoso.

Quando o caixão começou a ser coberto por terra, um silêncio sagrado pairou no ar. Aos poucos, a multidão, que antes se aglomerava, começou a se dispersar, uma a uma, cada pessoa levando consigo a dor da despedida. Naquele instante, mesmo com tantas palavras de conforto e afeto, meu coração já sentia a saudade cortante que acompanharia minha alma por toda a vida.

Restava apenas a esperança de que um dia eu poderia rever minha mãe e meu irmão, que também partira, agora reunidos nas moradas celestiais. Apesar de todas as dificuldades e da forma rude com que, muitas vezes, fui tratado por ela, o amor que sentia por minha mãe era incondicional. A gratidão preenchia minha alma, pois foi ela quem me gerou e preparou meu caminho, mesmo nas dificuldades.

Sou um milagre de Deus, moldado pelas experiências de vida que vivi. Ao longo da minha jornada, aprendi que, mesmo na dor, é possível encontrar ensinamentos valiosos. Com o passar dos anos, o legado da minha mãe se transformou em uma luz que guia meu coração, e suas memórias continuam a viver em mim. Hoje, por meio deste relato, desejo homenagear sua vida e seu amor, compartilhando minha história e as lições que ela deixou. Assim, honro sua memória e sigo em frente, sempre com a fé como meu alicerce.

6º

Meu sonho


Diante de todos os desafios que a vida me apresentou, restava-me o sonho de me tornar alguém significativo, de lutar incansavelmente para conquistar tudo o que um homem almeja. Desde a infância, sentia uma profunda reverência por Deus, e procurava manter minha honestidade intacta, evitando os pecados que poderiam desviar meu foco. A palavra de Deus sempre ressoava em meu coração com um temor sagrado, alimentando a certeza de que, se Deus é amor, meu espírito estava destinado a buscar esse amor incessantemente.

Era um jovem poético, apaixonado pela natureza e pelos sonhos que dança na minha imaginação. Certa vez, em uma leitura, uma frase me tocou profundamente: “Estava eu, em meu escritório, ao lado do meu telefone.” Estas palavras, simples, mas sinceras, acenderam uma chama dentro de mim, lembrando-me de que não poderia escrever sobre o que não era verdadeiro em minha vida. Assim, comecei a sonhar em ter meu próprio escritório e telefone. Naquele tempo, o acesso a esses objetos era restrito, e para possuí-los, era necessário mais que um desejo: era preciso dinheiro.

Foi assim que, em meio a essa busca, recebi a oportunidade de sair da Vila onde vivia em Cajati/SP e ir para São Paulo a passeio. Meu percurso mudou ao ser convidado para ser gerente na área de fotografia de uma organização filantrópica chamada “CDM” (Casa dos Mendigos). A fotografia? Nunca tinha pego uma câmera antes. No entanto, percebi que este emprego poderia me ajudar a conquistar aquela realidade sonhada. Aceitei o desafio, animado pela possibilidade de finalmente ter um telefone e um escritório.

A primeira vez que segurei uma máquina fotográfica Olympus-trip, fui invadido por um sentimento de realização. Mesmo sem saber como operar aquele equipamento, acreditei que poderia me tornar um fotógrafo. Com o tempo, fui aprendendo e crescendo nessa nova profissão, retornando para Cajati com um horizonte renovado. Em 1986, minha jornada como fotógrafo profissional começou. Passei a capturar sorrisos, paisagens e momentos especiais em festas de aniversário.

Os primeiros meses foram difíceis; eu apenas fotografava crianças em suas casas, devido à minha inexperiência. Sob o sol escaldante dos verões, percorria ruas e bairros oferecendo meus serviços. Havia semanas em que caminhava sem conseguir uma única foto, mas uma voz interna me instigava a persistir. Eu tinha um sonho a ser realizado e aquela era a oportunidade que eu tanto esperava. O calor, a falta de sucesso e as longas caminhadas, que muitas vezes chegavam a 40 quilômetros diários, não foram o suficiente para apagar minha determinação de sonhar.

Após cinco meses de trabalho em Cajati, decidi voltar a São Paulo, deixando meus pais para trás na busca de meus ideais. Ao chegar a Embu-Guaçu, novamente mergulhei na fotografia, e comprei um livro chamado “Como fotografar divertindo-se”. Esta obra se tornou meu guia e companheiro durante muitos anos, junto a outros livros que venho estudando. No entanto, os primeiros anos foram repletos de dificuldades. Enfrentei contratempos e, em algumas ocasiões, precisei pedir dinheiro em rodoviárias, mas segui em frente, determinado a traçar um caminho mais largo e confortável.

Cada passo incerto, cada desafio superado, moldou meu jeito e amor pela fotografia. O que começou como um sonho tornou-se uma realidade em construção, repleta de aprendizados e experiências que, até hoje, ecoam em meu ser. Esta é a história de um sonhador que, apesar das dificuldades, sempre acreditou na força de seu próprio sonho. 

7º

No mundo da fotografia



Após dois intensos anos de batalhas e muitos cursos de fotografia, finalmente fui acolhido por clientes de classe mais abastada. Aquele sonho que ardia em meu peito estava prestes a se concretizar. A vida me surpreendeu com um convite irresistível: começar a fotografar empresários, prefeitos, governadores, deputados e, em um instante surreal, até mesmo o Presidente da República. O ritmo acelerado da vida profissional me levou a cruzar caminhos com grandes nomes da música sertaneja, como Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Chororó, Zezé Di Camargo & Luciano, entre outros ícones que encantam multidões.

Minhas lentes capturaram a essência de pessoas em momentos únicos, e estive em várias emissoras de televisão, viajando pelos mais diversos recantos do Brasil. Em vinte anos dedicados à fotografia, não faltaram cliques para contar histórias e registrar sentimentos. Tive o privilégio de presenciar a magia dos grandes palcos, com suas luzes exuberantes e nuvens coloridas de fumaça. Vi de perto fãs se esvair em amor e ternura, cantando e venerando seus ídolos, e testemunhei lágrimas de emoção deslizarem pelas faces jovens quando a presença de seus artistas preferidos se tornava real e palpável.

Cada apresentação era uma ilusão passageira que penetrava na alma. O que poderia parecer apenas um show se transformava em um momento de aclamação e entrega, onde jovens se viam em um estado de êxtase, rendendo honra e glória aos seus ídolos. Enquanto as músicas ressoavam, a realidade cotidiana se dissipava, mas como um instante efêmero, a euforia cedia lugar a um vazio existencial. Assim que os holofotes se apagavam e a multidão se dispersava, o retorno à dura realidade se tornava inevitável. O que, em muitos momentos, percebi, é que esse vazio só poderia ser preenchido por uma força maior: Jesus, que é o autor da vida e a única fonte capaz de conceder verdadeira satisfação à alma.

Durante minha trajetória, aprendi diversas técnicas para aprimorar minha arte. Desenvolvi escritórios em São Paulo e criei estúdios fotográficos, especializando-me em moda, passarela, books, fotos de natureza e, mais importante, fotojornalismo. Quando tudo parecia perfeito, o inesperado se apresentou. Após quatro anos de uma carreira sólida e devidamente enraizada na política, fui lançado ao cargo de vereador em Embu-Guaçu, com apenas 22 anos. No entanto, vi-me prestes a enfrentar um dos desafios mais aterrorizantes da minha vida.

Naquela época, estava tão absorvido pelo dia a dia, buscando apenas o sucesso material, que me mantinha alheio ao plano divino que Deus tinha para mim. Minha mente fixava-se apenas no trabalho incessante, relegando meu relacionamento com o Criador ao segundo plano. A obsessão por livros sobre sucesso desvaneceu minha visão espiritual, e a ambição passou a guiar minhas ações. Naquele período, minha filosofia de vida era marcada pela crença de que eu poderia conquistar tudo por conta da minha coragem e determinação.

Contudo, Deus, que conhece cada coração, me mostrou uma verdade diferente. A máscara que eu usava para ocultar minha real condição caiu, e percebi que tudo que construí era passageiro e insustentável. De uma hora para outra, vi minha vida e minha carreira desmoronarem. A realidade invadiu meu mundo e, em meio à dor e ao desespero, entendi que o verdadeiro caminho não está nas conquistas passageiras, mas em reconhecer e seguir o propósito que Deus tem para cada um de nós.

A partir daquele ponto, minha vida não foi mais a mesma. O vazio que antes me acompanhava começou a se dissipar com a certeza de que Ele está no controle
8º

 Os clik´s na hora errada

Tudo começou com alguns cliques no momento errado. Na cidade onde eu morava, houve uma grande manifestação. Como repórter-fotográfico, era natural que eu estivesse lá, câmera em mãos, registrando cada detalhe. O que parecia apenas mais uma cobertura jornalística ganhou proporções inesperadas.

O protesto, que começou por volta das oito horas da manhã, só terminou no fim do dia, após a transferência de três delinquentes que estavam presos na delegacia. A população, revoltada, queria invadir o prédio para linchá-los. A cena era caótica: destruição, fúria, fogo e medo. Parecia um inferno em chamas.

Em meio à confusão, para meu espanto e terror, começaram a ecoar gritos contra mim. Diziam que eu estava fotografando para depois entregar as imagens à polícia e identificar os culpados. Como aquilo poderia ser verdade? Jamais! Eu estava apenas cumprindo meu dever de repórter, registrando os fatos para o jornal local. Até porque, além de mim, várias emissoras nacionais e internacionais estavam no mesmo local.

Mas não adiantaram explicações. A partir dali, passei a ser perseguido e ameaçado de morte. Foram dias de medo e angústia. Porém, mesmo nos momentos mais sombrios, Deus sempre arruma um jeito de nos mostrar o caminho da verdade.

E foi justamente nesse período turbulento que encontrei o maior e mais transformador acontecimento da minha vida: o encontro com Deus. Descobri que Ele sempre dá um jeito, sempre abre uma saída quando tudo parece perdido. Foi assim que, no meio do caos, me voltei aos braços de meu amado Pai celestial.

A partir daí, minha história tomou outro rumo. Não foi apenas uma mudança de trajetória profissional, mas uma verdadeira experiência de vida, um renascimento espiritual. Sem dúvidas, o encontro mais maravilhoso e profundo que já vivi.

9º

 A fuga

Diante da tragédia, das ameaças e dos boicotes ao meu trabalho, precisei deixar a cidade onde vivia em 1992. Saí como um fugitivo, sem causa, deixando para trás família, amigos e um passado de sucesso e reconhecimento. Meu pai já havia retornado a Embu-Guaçu, após a morte de minha mãe, e eu me vi obrigado a buscar um novo começo na grande São Paulo.

 

Na capital, cercado por milhares de pessoas, sentia-me mais sozinho do que nunca. A fama já não existia, e o vazio da solidão me fazia parecer um indigente perdido na multidão. Passei fome, enfrentei humilhações e chorei noites intermináveis. Em meu quarto simples, no lugar da janela, havia apenas um vidro transparente que me permitia contemplar o crepúsculo. Era o cenário da minha dor, mas também o espaço onde comecei a clamar a Deus.

 

Recordo-me do momento em que, com lágrimas e coração aflito, repeti as palavras de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Naquele instante, percebi a presença suave do Espírito Santo. Decidi, então, entregar minha vida verdadeiramente a Deus. Embora tivesse nascido em um lar cristão, foi ali que comecei a conhecê-Lo de fato, em sua supremacia e amor.

 

Foram anos de luta. Muitas vezes, meu único alimento era arroz cozido em água e sal. A fome doía, mas a fé me sustentava. Durante dois anos chorei, ora por ainda estar vivo, ora por não ter o que comer. Nesses momentos, me apegava às orações transmitidas pelo Bispo Macedo às seis da tarde. Quando tomava a água ungida, sentia como se uma anestesia suavizasse minha dor.

 

A solidão poderia ter me levado ao desespero absoluto, até mesmo ao suicídio, como acontece com tantos que não enxergam saída. Mas Deus sempre me deu escape. Um dia, quando já não tinha forças, o Pastor em uma reunião declarou: “Você nunca mais passará por essa situação, Deus está entrando com providência hoje.” Horas depois, minha fome era insuportável, quando meu irmão Eliezer, tocado por Deus, enviou uma cesta de alimentos. Ali começou a mudança: nunca mais passei fome.

 

Ao longo desse período, enfrentei batalhas espirituais intensas. Muitas vezes, andando pelas ruas de São Paulo, algo parecia me empurrar contra os carros, mas o Espírito de Deus sempre me consolava, sussurrando ao meu ouvido: “Não, filho. Espere mais um pouco, tenho coisas grandes a realizar em sua vida.” Essas palavras me deram forças para seguir.

 

Também vivi livramentos extraordinários. Certa vez, ao remar de caiaque na Represa Guarapiranga, fui surpreendido por ventos fortes. O caiaque virou, e exausto, sem forças para nadar, senti que a morte se aproximava. Mas, no momento certo, uma lancha apareceu e me resgatou da quelas águas. Mais um sinal de que minha vida estava nas mãos de Deus.

 

Com o tempo, compreendi que não adiantam fama ou afetos se não tivermos a Palavra de Deus no coração. É Ele quem escreve a nossa vitória. Olhando para trás, sei que sobrevivi porque Deus sempre esteve comigo, sustentando-me em cada passo, transformando dor em testemunho.

 

Após dois anos e meio de humilhações, mas também de amadurecimento espiritual, decidi dar forma a um sonho antigo: escrever um livro. Comecei em 1994, mas percebi que ainda não era o momento e interrompi o projeto. Continuei buscando a Deus, o único Salvador da minha vida, certo de que minha história existe para glorificar o Seu nome e servir de ânimo àqueles que hoje passam por dores semelhantes.

 

Eu sou um milagre de Deus. E minha vida, com todas as quedas e livramentos, é prova viva de que, para Ele, não existe impossível.

11º

 O lançamento do Jornal Alvorada


Jogador Palhinha 

Durante o período em que vivi na grande São Paulo, atuei como repórter-fotográfico em diversos jornais da região. Recebia algumas gorjetas pelos trabalhos prestados e, para alguém que não conhecia ninguém naquele lugar e não tinha rumo definido, essa oportunidade foi valiosa para o meu currículo. Passei a adquirir mais experiência em minha profissão e, mais uma vez, pude perceber que Deus sempre abre um escape para os seus filhos. Ele nos ilumina para que não pereçamos, e essa fase representou para mim um aprendizado muito importante.

Em certo momento, percebi que ainda não era a hora de escrever o livro. Contudo, ouvindo uma rádio evangélica, algo despertou dentro de mim: senti o impulso de criar um jornal evangélico. Eu estava com “sede” de falar sobre o Jesus que eu havia conhecido de forma verdadeira e transformadora. Meu coração ardia de amor pela Palavra, que salva e torna os homens vencedores.

Com a experiência adquirida no jornalismo e alguns contatos que já possuía na Zona Sul de São Paulo, iniciei a produção do Jornal Alvorada. Hoje reconheço que esse projeto foi também uma preparação para que eu tivesse condições de escrever este livro. Buscando inspiração na Bíblia, encontrei em Malaquias 4:2 a palavra que norteou o jornal: “Mas para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça.” Essa mensagem, carregada de vitória, salvação e justiça divina, revelou-se o alicerce para o nome Alvorada — o alvorecer do Sol da Justiça.

Mesmo sem recursos financeiros, mas com um desejo ardente de anunciar ao mundo a eternidade de Deus, lancei o jornal em 1994, justamente na semana em que faleceu Ayrton Senna, um momento marcante para o Brasil. A partir dali, comecei a ver milagres extraordinários em minha vida, experimentando de perto a mão de Deus em situações surpreendentes.

Essa nova jornada abriu caminhos que eu jamais imaginava trilhar. Embora financeiramente o retorno ainda fosse modesto, era o início de uma trajetória promissora. Continuei atuando como fotógrafo em outros jornais e, ao mesmo tempo, editando mensalmente o Jornal Alvorada. Com o tempo, fui conquistando novas amizades e expandindo meu círculo de relacionamentos na grande São Paulo, onde mantenho até hoje o reconhecimento e o carinho de muitos.

11º

 O retorno ao lar paternal

Depois de tudo o que vivi, jamais poderia imaginar que Deus, com Seu infinito poder, cumpriria a promessa que me fizera: eu voltaria a andar pelas ruas daquela cidade de onde havia fugido. Para minha surpresa, lá estava eu novamente em Embu-Guaçu. O retorno aconteceu após três anos de muita humilhação, mas também de grandes conquistas. Estava de volta ao lar, junto da minha família, brilhando como nunca, exercendo com ainda mais paixão tudo o que havia aprendido em minha profissão.

 

A fotografia ganhou um novo encanto em minha vida. Passei a sobrevoar São Paulo e região em helicópteros e aviões, registrando cenários e acontecimentos de ângulos que antes me pareciam inatingíveis. Deus é fiel, e sempre vela pela Sua palavra. Cada dia que passava, as humilhações que me marcaram se transformavam em lembranças distantes. Tudo se fazia novo diante dos meus olhos.

 

Eu não era mais apenas o fotógrafo iniciante de outrora. A experiência de vida, somada à dedicação e à profissão, me levou a ser reconhecido e outorgado como jornalista, exercendo a função de repórter-fotográfico pela FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais. Mais uma vez, tudo isso eu atribuo ao meu Deus, que me sustentou até aqui.

 

Confesso que, muitas vezes, não consigo conter a emoção por servir a um Deus tão sublime, que guarda e livra os Seus filhos, fazendo-nos mais que vencedores. Ao olhar para trás, percebo que tudo o que me aconteceu foi muito além dos meus próprios pensamentos. Enfim, voltei ao lar paterno com vida, saúde e esperança renovada.

 

Laços de morte me cercaram, armadilhas do inimigo tentaram me destruir, mas Deus me livrou de todas elas. Hoje, diante das circunstâncias que enfrentei, mal consigo acreditar que atravessei tudo em plena consciência e sobriedade. Só a mão de Deus poderia ter me preservado intacto em meio a tantas catástrofes.

 

Aprendi, ao longo dessa caminhada, que é preciso ter amor no coração e lealdade inabalável ao nosso Criador para permanecer firme e seguir adiante. E assim sigo, convicto de que minha vida é prova viva da fidelidade de Deus.

12º

 Meu casamento



Não poderia deixar de relatar um aspecto profundo e valioso de minha trajetória: a vida sentimental. Durante muitos anos, mesmo em momentos em que estive distante da plenitude de uma vida com Deus, sempre preservei no coração o temor de não me entregar aos desejos passageiros da lubricidade. Em minhas orações, pedia constantemente que o Senhor colocasse em meu caminho a pessoa certa, aquela com quem eu pudesse compartilhar a vida e viver em amor até que a morte nos separasse.

 

E Deus, em Sua infinita bondade, atendeu ao desejo do meu coração. Entre tantas lutas e conquistas profissionais, surgiu também a maior de todas as bênçãos: o reencontro com o amor verdadeiro. Ao retornar para Embu-Guaçu, estando próximo de minha família, tive a alegria de reencontrar Vanderléia, a mesma jovem com quem havia namorado por três anos em Cajati. Após o término, ficamos cinco anos afastados, mas o destino, guiado pelas mãos divinas, nos colocou frente a frente mais uma vez.

 

Retomamos o namoro e, em apenas seis meses, selamos o compromisso do matrimônio. Hoje compreendo que talvez não tenha tudo o que um dia sonhei, mas posso afirmar, com convicção, que amo tudo aquilo que Deus me concedeu. Vivo repetindo a mesma certeza, o Senhor tem sido fiel em todos os detalhes, até mesmo naqueles que, à primeira vista, parecem pequenos ou insignificantes.

 

Nestes dez anos de união, eu e minha esposa temos vivido uma história de amor e de fé. Após um ano e meio de casados, fomos agraciados com a chegada de nosso filho, Vinícius Galikoski, a maior prova do cuidado de Deus conosco. Formamos, assim, uma família unida em Cristo.

 

As adversidades também estiveram presentes, pois o dia a dia traz consigo lutas e desafios, mas juntos aprendemos a superar cada obstáculo. Deus tem nos capacitado para sermos mais que vencedores em Cristo Jesus, permitindo que sejamos testemunhas vivas de Sua majestade. Muitas vezes enfrentamos sofrimentos e situações que pareciam ameaçadoras, mas hoje entendo que cada prova foi apenas uma preparação para nos fazer subir mais um degrau na escada da vida.

 

Após tudo o que vivi, não há um só instante em que eu deixe de olhar para o meu Mestre Jesus. Foi n’Ele que encontrei forças para resistir, lutar e vencer. Pois somente em Jesus existe alento verdadeiro para a alma que, sem Ele, seria triste e vazia.

13º

 Privações na vida conjugal

Depois de um casamento repleto de sonhos e esperanças, eu e minha esposa nos vimos às voltas com dificuldades financeiras que pareciam intransponíveis. Após a cerimônia de casamento, três anos depois a realidade nos atingiu com força: a escassez se instalou em nosso lar, e as portas de oportunidades pareciam se fechar uma após a outra.

 

As noites eram preenchidas com inquietação, enquanto eu me esforçava para garantir o básico para minha família. A frustração de não conseguir proporcionar o que minha esposa e meu pequeno filho de dois anos precisavam era imensa. As lágrimas de minha esposa, marcadas pela falta de comida e roupas adequadas, representavam a dor que muitas famílias enfrentam em momentos de crise.

 

A experiência foi um verdadeiro teste de fé e resiliência. Encontrei-me em um momento de desespero, onde o peso das dificuldades me jogou em um poço profundo, espiritualmente. Entretanto, acredito genuinamente que Deus permitiu essas dificuldades para que Sua glória pudesse se manifestar em nossa história.

 

Nos momentos de tribulação, percebi a importância de ter uma companheira ao meu lado. Minha esposa não apenas compartilhou a carga, mas também manteve viva a chama da esperança, acreditando que Deus abriria novas portas para nós. Sua fé inabalável foi a âncora que nos sustentou em meio à tempestade. Sem ela, nosso casamento poderia muito bem ter se desfeito diante do peso da adversidade.

 

Vivemos períodos de transição, onde a falta de recursos nos levou a morar temporariamente na casa de amigos, com nossos móveis empilhados e nossos sonhos um tanto desfeitos. Após muitas peregrinações, decidimos voltar para Cajati, onde temos permanecido por mais de seis anos. Esse retorno trouxe um novo fôlego, e sentimo-nos juntos, mais fortes e determinados.

 

Hoje, testemunho as promessas de Deus se cumprindo em nossas vidas. As bênçãos que antes pareciam distantes agora transbordam em nosso lar. Cada dia é um motivo de gratidão, pois não sou eu que falo, mas Deus que se manifesta em nossas vidas. E assim, mantenho a certeza de que, onde quer que estejamos, Ele cumprirá Seus propósitos e nos guiará por caminhos de vitória.

 

A jornada do sofrimento nos ensinou lições valiosas. O amor, a fé e a perseverança se tornaram alicerces inabaláveis em nossa vida. Com a certeza de que a vida é cheia de altos e baixos, seguimos em frente, sempre em busca da luz que brilha após a tempestade, prontos para acolher cada nova bênção que Deus nos reserva.

14º

 Filosofia de vida 

Um Grito Para Liberdade

 

Desde cedo enfrentei marcas profundas em minha vida. O medo e o constrangimento tantas vezes me calaram, mas hoje decidi revelar algo que sempre esteve presente na minha caminhada: a prática do naturismo.

 

Para alguns, pode parecer apenas exibicionismo, mas para mim sempre significou reencontro e superação. Quando me despia, encontrava uma forma de me libertar das marcas psicológicas deixadas por palavras duras que me acompanharam desde a infância. Era o meu modo de enfrentar dores internas e me reconciliar comigo mesmo.

 

Na puberdade, os apelidos desumanos continuaram. Vinham da família e da escola, alimentando feridas que já existiam desde cedo, principalmente por causa da imposição de minha mãe em me fazer usar saia. Porém, no íntimo, eu sabia quem eu era: um homem normal, saudável e completo, porque Deus assim me fez.

 

Apesar dos traumas, consegui construir uma família sólida e feliz. Sempre levei a sério os princípios da fé cristã. Mesmo atravessando a adolescência sem conhecer o próprio corpo, já praticava o naturismo de forma inocente, nadando em rios ou na banheira sem enxergar malícia nisso.

 

Mais tarde, conheci a Praia do Pinho, em Santa Catarina, um espaço naturista reconhecido no Brasil. Ali encontrei famílias inteiras — crianças, jovens, adultos e idosos — despidos não apenas de roupas, mas também de preconceitos. Percebi que o naturismo não era algo isolado em mim, mas uma forma de muitas pessoas buscarem liberdade, respeito e reconciliação consigo mesmas.

 

Não escrevo este relato para convencer ninguém, nem para definir o que é certo ou errado. Escrevo para compartilhar a verdade da minha história e permitir que cada pessoa tire suas próprias conclusões.

 

Passei por períodos de depressão em que buscava alívio simplesmente me despindo diante da natureza. Sofri preconceitos, fui julgado e incompreendido. Mas deixo claro: nunca associei essa prática a pecados ou intenções ilícitas. Mesmo na fragilidade, preservei meus valores.

 

Hoje, não sou mais prisioneiro dessas dores. Cristo me resgatou e me fez uma nova criatura. Foi Nele que encontrei a verdadeira liberdade.

 

Se exponho essa parte delicada da minha vida, é porque não quero mais me esconder. Este é o meu testemunho: um grito para a liberdade.

A liberdade de ser sincero.

A liberdade de assumir minhas marcas.

E, acima de tudo, a liberdade de reconhecer que Deus é poderoso para transformar qualquer área da vida humana.

15º

 O Recomeço em Cajati

 Quando cheguei a Cajati, trazia comigo um peso quase insuportável. Estava mergulhado em profunda depressão, consequência de tantos episódios dolorosos que marcaram minha história. Os traumas eram tão intensos que eu já não conseguia desfrutar nem das conversas mais simples com amigos ou familiares.

 

Esse era o reflexo do estado em que me encontrava, um verdadeiro tédio infernal. Aos poucos, fui me tornando um estranho em meio à sociedade, alguém que só desejava se esconder, não ver ninguém, desaparecer. Eram sinais claros de uma depressão que já havia tomado conta do meu ser. Eu existia, mas não vivia.

 

Foi justamente essa condição que me levou ao Vale do Ribeira. No fundo, eu sabia que ali poderia reencontrar forças para me reerguer. E não me enganei. O tempo foi passando e, em apenas um ano morando nesse lugar, tão belo e maravilhoso, experimentei uma cura surpreendente.

 

A própria natureza se encarregou de restaurar o que estava despedaçado dentro de mim. O verde das matas, o canto dos pássaros, o frescor dos rios e o silêncio acolhedor das paisagens foram, pouco a pouco, arrancando de mim a sombra da depressão. Em meio a esse cenário, recuperei o gosto pela vida e voltei a respirar em paz.

 

Hoje posso dizer, com toda convicção, que estou livre para viver plenamente, feliz com Deus e em harmonia com todos ao meu redor. Ainda que mil palavras fossem escritas, jamais conseguiriam descrever a profundidade do que vivi na escuridão da minha alma.

 

Mas uma coisa permaneceu intacta, mesmo nos momentos mais sombrios: a certeza das promessas de Deus sobre mim. Sempre acreditei que Ele é fiel para cumprir cada palavra, e hoje vejo essa fidelidade se manifestando em minha vida, independentemente das circunstâncias.

 

Cajati não foi apenas uma mudança de cidade. Foi um recomeço, um marco da restauração que só Deus poderia realizar.

Proteção nas Estradas da Vida

 

Luar do sertão

Nestes anos vividos no Vale do Ribeira — terra encantada por suas magníficas cachoeiras, cavernas e pela exuberância da fauna e flora — percorri mais de duzentos e vinte mil quilômetros pelas estradas, conduzindo carros e motos que possuí ao longo do tempo. Foram incontáveis viagens, cada uma trazendo histórias, experiências e também grandes riscos.

 

Nessas andanças, presenciei inúmeros acidentes, alguns dos mais terríveis que se possa imaginar, inclusive com vítimas fatais. Foram cenas que marcaram minha memória e me fizeram refletir sobre a fragilidade da vida. Muitas vezes, também eu estive cara a cara com a morte, em situações inesperadas na conhecida “Rodovia da Morte”, a BR-116.

 

Houve momentos em que só me restava improvisar, agir no instinto, e ainda assim, escapar parecia impossível. Mas em todas as ocasiões eu pude sentir que a mão de Deus estava comigo, guardando-me dos laços mortais que me cercavam. A cada livramento, reconhecia Sua misericórdia e proteção.

 

Pouco tempo antes de concluir este livro, vivi um dos episódios mais marcantes dessa trajetória. Sofri um acidente gravíssimo: capotei o carro justamente na BR-116, a mesma estrada onde tanto percorri e tantas vezes enfrentei perigos. O impacto foi grande, mas, para a glória de Deus, não sofri sequer um arranhão.

 

Esse episódio foi mais uma prova incontestável de que o Senhor sempre esteve ao meu lado, livrando-me e confirmando que Sua fidelidade é maior que qualquer ameaça.

Moldado pelo Fogo da Vida

 

Muitas vezes me ajoelho e agradeço a Deus pelo simples fato de estar vivo. Sei que não compreendo todos os mistérios d’Ele sobre minha existência, mas tenho a convicção de que se permaneço aqui é porque Deus ainda tem algo maior a realizar através da minha vida. É sobrenatural.

 

Aprendi a dar glórias a Ele em todas as circunstâncias, porque está no controle de tudo. Foi neste Vale que encontrei a paz que tanto almejava e passei a compreender melhor o propósito de Deus para a humanidade. O mais importante, descobri, é adorar e louvar ao Senhor com gratidão, pois para isso fomos criados, à Sua imagem e semelhança.

 

Hoje já posso contemplar o sol da justiça brilhando sobre mim. Os milagres tornaram-se visíveis, e mesmo diante das lutas mais intensas, jamais deixei de sonhar. Muito devo à minha querida esposa, que nunca se levantou contra mim, nunca me acusou ou me abandonou. Ao contrário, foi sempre companheira fiel, estendendo-me a mão quando mais precisei. Somos, juntos, um milagre de Deus e mais que vencedores em Cristo Jesus.

 

O vento soprou contra nós com fúria, trazendo ondas gigantes que ameaçavam nos afogar. Mas resistimos a tudo, porque o Senhor nunca nos abandonou. Hoje compreendo o porquê de tantas provações: a Palavra de Deus nos garante que não enfrentamos tribulações além do que podemos suportar.

 

Se desde a infância passei por dores e traumas, foi porque Deus tinha um propósito maior: me ungir para levar aos necessitados e cativos uma mensagem de fé, vida e esperança. Hoje posso afirmar com convicção: eu conheço quem é Deus, porque vivi experiências tremendas com meu Mestre.

 

Fui amassado, quebrado e triturado pelas circunstâncias da vida, mas delas saí moldado. Tornei-me um homem experimentado em diversas áreas da existência, e justamente por isso jamais posso desdenhar a dor de ninguém — porque cada dor é única. Cabe a mim apenas oferecer alívio, estender a mão, ser um instrumento de consolo.

 

Para isso, coloco-me totalmente à disposição do Senhor, desejando ser um servo agradável e fiel, pronto para cumprir Sua vontade.

16º

Dissipem-se as trevas

Muitas vezes pensei em fugir de tudo, mas logo me perguntava: para onde iria, se Deus está em todos os lugares? Em alguns momentos, a dor e o desespero foram tão intensos que cogitei dar cabo da minha própria vida, mas a lembrança da Palavra de Deus me advertia: “os covardes não terão parte no Reino de Deus”. E foi justamente em uma dessas horas de aflição, quando clamei aos céus em um grito de socorro, que ouvi dentro de mim uma voz suave e firme do Senhor dizendo: “Filho, estou contigo até o fim. Estou te vendo, não temas. Apenas busque a minha face e verás o que vou fazer contigo. Descanse em mim. Creia tão somente e contemple a minha glória nascendo sobre ti”.

 

Essas palavras mudaram meu caminho. A fé foi reacendida em meu coração e percebi que nunca estive sozinho. Deus sempre me sustentou, mesmo quando eu era ingrato, mesmo quando me afastava da Sua vontade. Posso afirmar com convicção: todas as vezes que precisei, o Senhor nunca me abandonou. Sou prova viva das maravilhas que Ele realiza.

 

Houve tempos em que cheguei à igreja sem forças, arrastando-me como um morto-vivo. Mas, ao ouvir os cânticos e a Palavra sendo ministrada, o Espírito Santo derramava sobre mim bálsamo, perdão e misericórdia. Eu entrava vazio e saía renovado, flutuando, com lágrimas nos olhos, mas com o coração cheio de vida. Foram nesses encontros com Deus que compreendi que, por mais que eu fracassasse ou me sentisse indigno, Ele sempre me amava e estava pronto a me reerguer.

 

Na vida profissional, também enfrentei muitas quedas. Empresas abertas com tanto esforço, que logo fechavam. Busquei sucesso com minhas próprias forças e muitas vezes falhei, porque ainda não tinha entendido que o verdadeiro êxito vem das mãos de Deus. Em minha ignorância, fui desonesto comigo mesmo e com o propósito que Ele havia estabelecido para minha vida. Quem tem um chamado não pode fugir — cedo ou tarde, aprende que é preciso se entregar totalmente à vontade do Pai.

 

Hoje, compreendo que o que Deus deseja de mim é simples: amor, fidelidade e perseverança. Nós é que complicamos o plano de Deus. Ele nos deu as Escrituras como guia, mas muitas vezes insistimos em trilhar caminhos próprios. Aprendi, com dor, que somente ao entregar meu coração por inteiro a Cristo pude experimentar a verdadeira transformação: a água da minha vida amarga foi transformada em vinho novo, cheio de alegria e significado.

 

Sou casado, tenho uma família feliz e sou um pai amoroso. Deus me deu um lar, carro, minha casa própria e a bênção de exercer minhas profissões. Atuo como repórter-fotográfico na era digital, faço fotos aéreas e cartões-postais de várias cidades do Brasil, e continuo meu trabalho como diretor do Jornal Alvorada. Cada conquista é fruto da graça de Deus, pois tudo que tenho e sou pertence a Ele.

 

Se você, que lê estas linhas, está passando pelo que eu já vivi, saiba: ainda há esperança. Busque a Deus com toda sua alma, com todo o entendimento, e verá o coração arder de uma maneira que só o Espírito Santo pode realizar. Não importa o tamanho da dor ou a profundidade da queda, Deus pode transformar sua vida em um milagre, como fez comigo.

 

Hoje posso declarar com plena certeza: eu venci, porque Cristo venceu por mim. Sou um milagre vivo da graça de Deus. E, enquanto tiver fôlego, seguirei proclamando ao mundo que não existe amor maior, nem força mais poderosa, do que a do nosso Senhor Jesus Cristo.

17º

 Um mundo invisível

Vivemos em um mundo invisível demais. Se os nossos olhos carnais pudessem enxergar a realidade espiritual que nos cerca, jamais viveríamos como vivemos. Às vezes, essa dimensão até se torna perceptível, quando a obscuridade invade a nossa mente e coração, deixando transparecer que há algo além do que é visível.

 

Muitas pessoas vivem nesse universo de perturbação, cercadas por transtornos constantes e obstáculos sem fim. E, na tentativa de escapar desse peso, buscam refúgio nas delícias da carne, nas paixões momentâneas e nas concupiscências que parecem oferecer prazer e alívio. Contudo, a ilusão dura pouco: o manto do pecado cai e o que já era ruim se torna ainda pior. O inimigo da alma, que outrora ofereceu pratos belos e coloridos como se fossem banquetes irresistíveis, passa a zombar, trazendo acusações e tormentos ainda maiores. Assim, o homem se vê acorrentado, preso em grilhões e cercado pelas portas de ferro do inferno.

 

Foi nessa realidade que muitas vezes me encontrei, vivendo humilhações e enfrentando batalhas internas profundas. Mas, quando finalmente passei a enxergar o mundo espiritual através do sangue de Jesus Cristo — sangue derramado na cruz por amor a nós —, a minha visão mudou por completo. Compreendi meus erros, reconheci meus pecados e me entreguei a Deus como um pecador arrependido.

 

Naquele instante, tudo se transformou. O que antes era escuridão, agora passou a ser luz. Vi Jesus de braços abertos, não em zombaria, mas em amor e alegria, pronto para me acolher como Seu filho. Essa entrega abriu diante de mim uma nova fase de vida: liberdade verdadeira, paz no coração e expressão renovada.

 

O sangue de Jesus tem poder para transformar qualquer história. Por mais profundo que seja o poço em que alguém tenha caído, por mais pesada que seja a cadeia que prende a alma, Deus é maior. Ele é capaz de libertar, restaurar e dar vida em abundância.

 

Eu sou prova disso. Deus transformou a minha história de derrotas em vitórias, a minha dor em esperança e a minha vida em testemunho de fé. Hoje posso afirmar com toda convicção: sou mais que vencedor em Cristo Jesus.

 

E é com alegria que desejo a você o mesmo caminho de transformação. Não se entregue à solidão, nem aos falsos prazeres da carne que só levam à destruição. Entregue os seus caminhos ao Senhor, confie nEle, e Ele fará infinitamente mais do que você pode imaginar.

 

Assim como eu acreditei e fui mudado, você também pode experimentar essa mesma graça. Hoje sou feliz, plenamente feliz, porque encontrei a verdadeira paz ao lado do meu Mestre e Salvador: Jesus Cristo.

18º

 Jesus Te Ama

Em meio aos labirintos da vida, outrora caminhei desnorteado, deixando-me conduzir pelas necedades que invadiam minha alma. Tornei-me um nômade interior, perdido diante das incertezas e dos inefáveis que me cercavam em cada passo da trajetória.

 

Mas em meio a essa confusão, uma simples frase atravessou minha história como uma flecha certeira: “Jesus te ama”. Nada neste mundo foi capaz de substituir o impacto dessas palavras em minha vida.

 

Desde aquele momento, passei a contemplar a grandiosidade imensurável do amor de Cristo. Um amor que não se explica, apenas se sente, e que passou a conduzir meus dias de forma sobrenatural. Quando falo sobre esse amor, meu coração se enche de paz e alegria. As trevas que antes me aprisionavam se dissiparam, e a luz do Sol da Justiça começou a raiar em meu interior. Uma leve brisa do Espírito Santo passou a pairar sobre meu ser, tornando meus olhos brilhantes como nunca antes haviam sido.

 

Passei a compreender que as riquezas de Deus superam qualquer tesouro humano, maior que ouro finíssimo ou pedras preciosas. E ao olhar para as Escrituras, entendi a verdade expressa em Romanos 3:23: “Todos pecaram e carecem da glória de Deus”. O pecado nos afasta do Criador, mas o amor de Jesus nos reconcilia com Ele, pois foi por esse amor incondicional que Cristo entregou a própria vida.

 

Hoje, sou testemunha ocular dessa transformação. Vivi a passagem das trevas para a luz. Não importam as condições materiais de uma pessoa — seja ela rica ou pobre, cheia de recursos ou carente de tudo. O que realmente importa é conhecer este Jesus que salva, liberta e dá vida em abundância.

 

Sei o que significa viver aflito, cansado e desiludido. Sei também o que significa encontrar descanso e segurança na presença de Deus. Minha vida é prova viva de que o evangelho é poder para mudar destinos.

 

Por isso, meu desejo sincero é que você, ao ler estas palavras, abra o coração para este mesmo amor. A salvação é individual, e o tempo é urgente. Jesus está próximo, e Ele mesmo nos adverte: “Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.

 

Não se engane: Deus é amor, mas também é justiça. O homem ceifa exatamente o que planta. Ainda assim, Cristo oferece a oportunidade de um recomeço, de uma vida transformada, de uma eternidade assegurada.

 

O mundo pode até ignorar este amor infinito, mas eu não poderia deixar de testemunhar. Desejo, de todo coração, que você experimente o mesmo bálsamo de Jesus que mudou meu viver. Que sua alma seja invadida por esta paz, e que sua vida seja marcada por esta certeza: Jesus te ama e quer te salvar.

19º

 Minha Oração em Gratidão a Deus

 

Ao olhar para trás e recordar os caminhos por onde andei, não posso deixar de elevar minha alma em gratidão ao Pai. Foram muitas as dificuldades, obscuridades e lutas que marcaram minha história. No entanto, em todas elas, o Senhor se fez presente, sustentando-me com Sua mão poderosa e dando-me forças para superar os traumas e dores que carreguei ao longo da jornada.

 

Hoje, reconheço que se não fosse o amor e a misericórdia de Deus, eu não estaria de pé. Ele me colocou em lugares de honra, abriu portas que jamais imaginei atravessar e, acima de tudo, me concedeu uma vida transformada pela graça. Bendito seja o Senhor, que nunca me abandonou nem permitiu que as armas do inimigo prevalecessem contra mim.

 

Nos detalhes da vida, aqueles que muitas vezes parecem insignificantes, eu pude enxergar a presença de Jesus. Foi Ele quem me amparou nos dias difíceis, quem me guardou do mal e quem transformou minhas dores em vitórias. Hoje posso dizer que conheço a Deus de perto, não apenas de ouvir falar, mas de experimentar o Seu cuidado em minha própria vida.

 

Por isso, minha alma se derrama em louvor. Louvarei o Senhor em Seus átrios, entre os Querubins, porque Ele é digno de toda exaltação. É d’Ele a razão pela qual não fomos consumidos. Seu amor é eterno, Suas misericórdias não têm fim.

 

E nesta oração, não posso deixar de interceder também por você que lê estas palavras. Oro para que o mesmo Deus que me sustentou em meio às trevas seja aquele que venha ao encontro da sua vida. Que Ele conceda cura às suas feridas, alívio ao seu coração aflito e milagres à sua jornada. Assim como o Senhor foi generoso comigo, sei que será também generoso com todo aquele que n’Ele confia.

 

Receba esta oração como um convite para experimentar o cuidado divino. Creia que o Senhor Jesus continua a operar maravilhas, e que Seu nome será exaltado para todo o sempre.

 

Amém!

Na escuridão do pensamento

Na escuridão do meu cérebro febril;

trago lembranças sórdidas do meu viver

quão a uma criança indefesa aos infortúnios.

 

A cobardia invadia minha alma,

tentando roubar-me o mais precioso;

o intelecto da vida humana.

 

Sinto através do tempo a maldade tentando

Arrancar de minhas entranhas

o perfume suave do amor.

Mas, esta essência do amor,

tem esquadrinhado o meu ser,

tornando-me capaz de viver sempre o impossível.

 

Vi-me fisicamente acorrentado no calabouço espantoso,

nos esgotos e na lama que a vida me conduziu,

anestesiado pelos icebergs na alma.

Mas com a certeza de um lindo raio de sol aquecer-me.

 

Quando criança, um mal trapilho,

pé descalço no chão de barro.

Queimado do sol abrasador,

rastelando folhas secas pelo chão,

ou cortando lenha com machado,

para o jantar a luz de velas.

 

Às vezes vivendo por viver,

mas no agente da alma,

uma esperança no porvir.

 

A vida me proporcionaria muitas intempéries.

Mas a chama do querer inundou meu coração

com grandes realizações, trazendo-me o

luminoso sol da justiça sobre minha existência.

 

Sei que havia dois caminhos para uma escolha,

por motivos da infelicidade; mas Deus brioso e Santo,

proferiu evidências ao amor.

Trazendo o bálsamo da ternura sobre minha alma cansada.

 

Hoje a emoção faz parte de minha vivência,

tenho compreendido o verdadeiro sentido de viver,

sonhar, superar os traumas das noites sombrias,

sob um luar dourado no lacrimejar de minha alma.

 

Hoje deslumbro como herói, os marasmos vividos

em minha infância e juventude.

Tenho galgado com amor, coragem e determinação

Todos os acabrunhamentos nesta rica história de vida.

Porfiarei para sempre este amor intenso que me faz feliz.

Querer é poder!...

 

Contra-Capa

 

Num relato emocionante e verdadeiro, o autor Luiz Marco compartilha os caminhos tortuosos e as intempéries de sua vida até chegar ao maior e mais infinito encontro: o encontro com Deus.

 

Da infância marcada por maus-tratos maternos à dor irreparável da perda do irmão mais velho; das privações severas, inclusive da falta de alimento, aos altos e baixos enfrentados ao longo de sua carreira, este livro revela a história de um homem que jamais deixou de acreditar no impossível.

 

Quando tudo parecia perdido, Luiz Marco experimentou as graças e misericórdias do Senhor, que lhe deu forças para lutar e lhe mostrou, por meio de gestos de amor, que jamais o abandonaria. Hoje, ele se reconhece como “Um Milagre de Deus”, testemunha viva de que a fé é capaz de transformar destinos.

 

Com esta obra, o autor realiza o sonho de dividir experiências pessoais, lutas e vitórias, oferecendo ao leitor a oportunidade de enxergar que há sempre uma saída quando se encontra o bálsamo do amor divino. Sua missão, talvez a maior traçada por Deus em sua vida, é justamente esta: alcançar corações aflitos, mostrar que a luz pode dissipar qualquer escuridão e que a esperança é sempre possível.

 

“Sou um milagre de Deus, por ter suportado o inverno álgido da minha alma. Hoje tudo me parece flóreo ao redor. Quando o sol veio com sua luz resplandecente, passei a ver Jesus. Agora, compenetrado no brilho dessa luz, trago em minha alma uma filosofia de vida: ‘Querer é poder’. A Bíblia Sagrada me dá este direito!’

Luiz Marco

Um comentário:

  1. Meu prezado amigo Luizinho. Já comecei a ler o seu livro. Estou gostando muito.
    De fato sou muito interessado por autobiografias e a história da sua família sempre me despertou desejo de conhecer melhor. Um dia seu pai veio sozinho à Itajubá e conversei longamente com ele, buscando conhecer a história que, agora, vou conhecer melhor ainda. Obrigado pela oportunidade.
    Paulinho

    ResponderExcluir