Doce é a luz e agradável aos olhos ver o sol!
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| Titulo: | DAS TREVAS PARA A LUZ: UM GRITO PARA A LIBERDADE |
| Autor: | LUIZ MARCO DE OLIVEIRA |
| Edição: | 1 |
| Ano: | 2007 |
| Local: | CAJATI |
| Suporte: | PAPEL |
| Páginas: | 104 |
| Editora: | LUIZ MARCO DE OLIVEIRA |
| ISBN: | 9788590714002 |
Das Trevas para a Luz
Autobiografia de Luiz Marco
Prefácio
É com imensa alegria que apresento a vocês "Das TREVAS PARA A LUZ",
uma autobiografia escrita por Luiz Marco. Neste trabalho, Luiz compartilha sua
jornada pessoal, repleta de desafios, aprendizados e, acima de tudo,
transformações. Em um mundo em que as relações familiares estão sob constante
vigilância e debate, esta obra chega em um momento oportuno, trazendo reflexões
valiosas sobre o vínculo entre pais e filhos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tem sido um marco na busca por
garantir que as crianças tenham seus direitos assegurados dentro do ambiente
familiar. Porém, é importante lembrar que princípios que regem as relações
interpessoais já estão presentes há milênios nas escrituras sagradas. A Bíblia,
em Malaquias 4:6, nos ensina que a verdadeira benção de Deus em uma família e o
fortalecimento de seus laços dependem, em última análise, de corações
convertidos e dispostos a amar e entender uns aos outros.
"Das TREVAS PARA A LUZ" é mais do que uma simples narrativa: é uma
verdadeira bênção que Luiz Marco compartilha com cada um de nós. Sua história é
um testemunho de resiliência, fé e transformação, capaz de tocar e inspirar
todos aqueles que buscam um caminho de compreensão e harmonia nas suas próprias
relações familiares.
Parabéns aos leitores por se aprofundar nessa leitura; suas vidas estão prestes
a receber uma nova luz. E parabéns a você, Luiz Marco, por sua coragem e
comprometimento em compartilhar sua verdade. Que este livro sirva como uma
ferramenta para o crescimento espiritual e emocional de todos que o lerem.
Com carinho,
Pr. Valmir da Silva Alves
Doutor em Divindade e Bacharel em Teologia
Dedicatória
Este livro é um reflexo dos laços que me unem à minha família. Por isso, dedico
com amor à minha querida esposa Vanderléia e ao meu adorável filho Vinícius
Galikoski. Vocês são as luzes que iluminam minha vida e as razões pelas quais
busco sempre ser uma pessoa melhor. Agradeço por cada momento compartilhado,
por cada sorriso e por todo o apoio nos últimos onze anos.
Com carinho,
Luiz Marco
Autor
Introdução
Trago em minhas lembranças os enfados da vida outrora.
Muitas foram as noites de trevas que vivi, marcadas por conflitos emocionais
durante minha infância e juventude. Apesar disso, sempre lutei para transpor
essas barreiras em meu caminhar. Quando passei a conhecer verdadeiramente o
Cristo ressuscitado, percebi que ainda havia possibilidade de transformação de
vida em Deus.
Hoje, observo tantas pessoas que, por falta de conhecimento
desse Deus tão grande e infinito, continuam vivendo em um mar de solidão e
desespero. Muitas vezes pensei ter chegado ao fundo de um poço profundo, sem
chance de me levantar, acreditando que o suicídio seria a única saída. Mas,
sempre na hora certa, Deus se manifestava com Poder e Glória, rompendo a
malignidade que pesava sobre meu coração. Através de um poder sobrenatural,
quando menos esperava, lá estava eu de pé novamente, trilhando caminhos seguros
diante de Deus e dos homens.
Atualmente, não encontro palavras para expressar as
maravilhas que Deus tem feito em minha vida e na vida da minha família. Somos
mais que vencedores em Cristo Jesus. Por mais que o inimigo tente nos afligir
com trevas, estamos debaixo da proteção deste Deus infinito, por intermédio do
Sangue de Jesus derramado na Cruz do Calvário.
Se você se encontrar em meio à escuridão, sem enxergar o fim
do túnel, acredite: Deus está pronto para tirá-lo também desta condição de
humilhação e desespero. Se já bateu em todas as portas sem encontrar respostas
para seu sofrimento, dê um passo em direção a Jesus. Foi para isso que Ele
veio: salvar a humanidade do pecado e da devassidão que Satanás tem imposto
sobre os homens.
É tempo de nos entregarmos verdadeiramente a Deus e vivermos
nas dimensões espirituais. É nesse poder que podemos todas as coisas, desde que
façamos a Sua vontade em espírito e em verdade, mantendo a mente de Cristo em
toda nossa vida. Vivendo conforme os requisitos que Deus nos adverte em
Deuteronômio 28:1-14, experimentaremos dias de abundância em todas as áreas de
nossa existência, pois Deus é fiel e vela pela Sua Palavra. Depende apenas do
nosso querer.
Sendo eu testemunha desse Cristo ressuscitado, apresento
esta autobiografia, que contém a história da minha vida. Espero que você
compreenda o verdadeiro significado de viver uma vida com Deus.
Boa leitura, na paz de Cristo Nosso Senhor!
Luiz Marco
Autor
Doce Luz
Doce é a luz, e agradável aos meus olhos ver o sol,
Mas não esqueço que houve dias de trevas,
Na escassez em que vivi, diante de uma obscuridade sem fim,
O caos elevou minha vida a um calabouço assombroso.
Mesmo em meio à perplexidade,
Não perdi minha trajetória,
Pois dentro de mim
Havia subsídios guardados no mais profundo do meu ser.
Com tenacidade que invade a alma,
Passei a obsecrar humildemente a Deus,
Sentindo o suave sussurrar d’Ele ao meu ouvido,
Trazendo serenidade, paz e a esperança de uma vida melhor.
Sou um milagre de Deus,
Por ter suportado o inverno álgido da minha alma.
Agora, tudo ao meu redor parece flóreo,
E quando veio o sol, com sua luz resplandecente, passei a
ver Jesus.
Agora estou compenetrado com o brilho desta luz.
Trago uma filosofia em minha alma:
“Querer é poder!”
1º
Das Trevas para a Luz
Autobiografia
Nasci gêmeo de meu irmão Marcos Antônio, no dia 23 de setembro de 1966, em
Santo Amaro, São Paulo. Crescer em um lar evangélico tinha seus altos e baixos,
e, ao refletir sobre minha vida agora, aos 40 anos, percebo que é essencial
compartilhar os momentos que moldaram quem sou. Fui parte de uma família
composta por cinco irmãos, e cada um de nós trouxe suas próprias experiências,
dificuldades e alegrias para a contextura da nossa história.
A infância, como é comum a muitos, foi uma montanha-russa de emoções. Lembro-me
claramente das tardes ensolaradas em que corríamos pelo bairro, das risadas
inocentes e dos sonhos de um futuro brilhante. No entanto, a vida também teve
seus desafios. Em meio às luzes e sombras, enfrentei momentos de
acabrunhamento, dos quais não posso esquecer. Essas vivências difíceis me
ensinaram lições valiosas que gostaria de compartilhar, na esperança de que
possam servir de exemplo e inspiração a aqueles que, como eu, enfrentam lutas e
se esquecem do próprio valor e da grandeza de Deus em suas vidas.
Houve tempos em que a escuridão parecia se instalar definitivamente em meu ser
e as dúvidas permeavam meus pensamentos. Porém, mesmo em meio a essa
obscuridade, havia uma chama de esperança que nunca se apagou. Aprendi a buscar
em Deus conforto e direção, e essa busca se tornou minha âncora nos dias
tempestuosos. Eu queria acreditar que cada desafio poderia, de alguma forma, me
aproximar do melhor que a vida tinha a oferecer.
Ao olhar para trás, percebo quão importante é agradecer a Deus pelo milagre que
somos, todos nós. Estamos aqui, lutando, vivendo e aprendendo, e essa jornada é
sagrada. Espero que, com esta narrativa, outras pessoas consigam ver suas
próprias histórias refletidas em minhas palavras e encontre a força para
agradecer, mesmo nos dias mais difíceis. Afinal, cada um de nós é um testemunho
do amor e da graça de Deus.
Esta é apenas uma parte da minha história, um convite para que conheçam o que
vivi e como cada experiência contribuiu para o meu crescimento espiritual e
emocional. Que todos possam aprender a reconhecer as bênçãos em meio às
dificuldades e entender que, mesmo quando a vida parece desmoronar, sempre há
esperança e redenção.
Neste livro, falarei sobre meus pais, minha infância, adolescência, profissão,
casamento e, acima de tudo, minha fé religiosa. Cada um desses aspectos moldou
quem eu sou e desempenhou um papel fundamental na busca por um significado mais
profundo.
Sou grato a Deus por estar vivo e por ter a oportunidade de contar um pouco
dessa trajetória. Desde a infância, vivi momentos que, embora difíceis, foram
cruciais para a minha formação. Experimentei a pobreza e a miséria, mas também
conheci a riqueza de experiências e a satisfação de pequenas conquistas.
Esses relatos que você encontrará aqui são absolutamente verdadeiros e reais.
Não há espaço para alucinações ou exageros, pois minha intenção é transmitir
autenticidade e sinceridade. O que aprendi ao longo do caminho me ensinou que,
independentemente das dificuldades, Deus nunca nos desampara. Sua presença
sempre foi um pilar de força e esperança em momentos de incerteza.
Espero que minhas palavras sirvam como um instrumento para uma forte reflexão
sobre o que somos nesta terra e sobre a graça que nos envolve a cada dia.
Acredito que cada vida tem seu valor e cada história, um significado. Neste
relato, convido você a me acompanhar na jornada que já percorri e a perceber
que, mesmo em meio aos desafios, é possível encontrar luz e propósito.
Com gratidão, compartilho minha história com você, na esperança de que possa
inspirá-lo a reconhecer a beleza e a importância da própria vida.
2º
Cuidar de três crianças tão pequenas ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil, e
acredito que nossa mãe, sem muita preparação e apoio psicológico, acabou
enfrentando uma série de distúrbios emocionais. As dificuldades diárias de
equilibrar as demandas de cada um de nós, somadas à pressão de ser mãe de três
filhos todos tão próximos em idade, certamente deixaram marcas em sua saúde
mental e emocional.
Meus pais enfrentaram grandes desafios em busca de uma vida
melhor e, com muito esforço, conseguiram erguer a casa própria que se tornaria
o palco das nossas vivências e da nossa história. Ao longo do tempo, a condição
financeira da família melhorou, proporcionando-nos uma estrutura mais sólida.
Contudo, por trás dessa fachada de sucesso, havia uma dor que nem sempre era
aparente.
Minha mãe, ao gerar filhos gêmeos, carregava um trauma profundo que a
acompanhou por muitos anos. Essa experiência a afetou de maneiras que nós,
criança e bebê na época, não podíamos compreender plenamente. Quando meu irmão
e eu começamos a ter consciência do que nos cercava, a realidade se revelou
triste e dolorosa. Era perceptível como, muitas vezes, éramos tratados com
indiferença, um reflexo do sofrimento emocional da nossa mãe.
A relação com meu irmão mais velho era marcada por uma comparação constante, e
em muitas ocasiões, nós éramos deixados de lado. Com apenas seis anos, consegui
notar a disparidade em como éramos vistos. Enquanto meu irmão mais velho
recebia atenção e carinho, nós, os gêmeos, éramos quase invisíveis aos olhos de
quem deveria nos cuidar. Essa sensação de desprezo foi um peso que
carregamos por muito tempo, e, ao refletir sobre isso, compreendo que as
injustiças que uma criança sofre podem ter um impacto profundo e
duradouro.
O que se faz a uma criança não pode ser apagado; as
lembranças e as cicatrizes ficam gravadas na alma, e mesmo o tempo não consegue
dar conta desse trabalho.
Cresci em um ambiente repleto de desafios e traumas que
deixaram cicatrizes em minha alma. Meus primeiros anos foram repletos de dor, e
os apelidos que carregava eram apenas reflexos de um tratamento cruel e
desumano.
Tinha apenas seis ou sete anos quando eu e meu irmão ficávamos trancados em um
porão escuro, isolados do mundo e sem qualquer proteção. Meu irmão e eu éramos
forçados a utilizar uma vasilha para nossas necessidades, e a cruel realidade
era que, ao final do dia, éramos obrigados a beber a urina que deveria ser
descartado. Era um ciclo de tortura que nos atormentava tanto fisicamente
quanto emocionalmente. Quando nossa mãe saía para trabalhar, nós éramos
amarrados a uma cama, como se fôssemos objetos inanimados, sem direitos ou
desejos.
Hoje, como pai, frequentemente me vejo relembrando essas experiências em sonhos
perturbadores. Sonhos em que me vejo agredindo meu próprio filho, como um eco
do que vivi na infância. Ao acordar, sou tomado por um alívio profundo ao
perceber que aquilo não é real. Esses pesadelos, no entanto, não fazem mais do
que me lembrar da responsabilidade que tenho em minhas mãos. O amor que sinto
por meu filho é imensurável e, com ele, surge a determinação de quebrar esse
ciclo. A cada dia, aprendo a amar de maneira mais genuína, buscando construir
um ambiente saudável e amoroso, livre das sombras do passado.
A vida é repleta de eventos e palavras que deixam marcas
indeléveis. Há coisas que preferia esquecer; memórias que, se não fossem
lançadas ao mar do esquecimento, poderiam obscurecer minha jornada.
Compartilhar minha história é, portanto, um ato de libertação. É um desejo de
não só relatar o que vivi, mas também de tornar visível o caminho de cura que
procuro trilhar.
Desde muito cedo, percebi a idolatria que minha mãe tinha pelo meu irmão mais
velho. Essa adoração o transformou em um pedestal inatingível, enquanto eu e meu
irmão éramos deixados em segundo plano.
Aos domingos, a escola dominical era um martírio. Com apenas
sete anos, me via obrigado a decorar textos longos para recitar. Lembro-me do
medo que sentia ao voltar para casa; se eu gaguejasse, sabia que a surra me
aguardava. As noites de domingo na igreja eram igualmente angustiantes. O
cansaço pesava em nossos olhos, e nós, crianças pequenas, éramos acordados com
beliscões que deixavam marcas. As lágrimas que brotavam dos nossos olhos eram
rapidamente reprimidas, pois chorar era um ato que não podíamos permitir.
Às vezes, sentia que a educação religiosa que recebia não era um ensino de
amor, mas uma tortura que alimentava apenas o medo. Para mim, isso não soava
como a mensagem de um verdadeiro evangelho, mas sim como uma brutalidade que
deixava marcas profundas em duas crianças carentes de amor e apoio.
Com o passar dos anos, a situação em casa se agravou. Iniciei minha trajetória
escolar e, com ela, uma nova fonte de humilhação. Meus trajes e condições
financeiras atraiam olhares de escárnio, e a zombaria se tornava parte do meu
cotidiano. Entretanto, entre os pesares, havia poucos momentos de alegria e
descontração em família. Um desses momentos aconteceu quando minha mãe decidiu
comprar um sítio em Embu-Guaçu. A mudança trouxe a esperança de um recomeço, e
eu sentia que estávamos deixando para trás o sofrimento da cidade grande. No
entanto, essa nova vida rapidamente se tornou uma desilusão.
Certa vez, aos nove anos, encontrei uma cobra. Quando tentei me aproximar, ela
se escondeu em um buraco. Sentindo-me cansado da vida e buscando uma forma de
escapar da dor, desejei que a cobra me mordesse. A desesperança tomou conta de
mim, revelando o quão profunda era a minha angústia. Hoje, ao relembrar esse
episódio, compreendo que esses sentimentos eram o reflexo de um lar despedaçado
e da falta de amor que vivenciávamos.
Por mais de oito vezes, meu irmão gêmeo decidiu fugir de
casa, não aguentando mais a carga emocional que nos era imposta. A idolatria de
nossa mãe por José Augusto se convertia em um fardo pesado, sufocante. Em uma
tarde de sábado, a pressão se tornou intolerável para ele. Enquanto nossa mãe
dormia, meu irmão primogênito arrumou uma pequena trouxa com algumas de suas
coisas e saiu, em busca de liberdade. Quando minha mãe acordou e notou sua
ausência, o desespero tomou conta dela. Descalça, ela saiu em sua busca,
enfrentando pedras, que deixaram seus pés e joelhos cobertos de bolhas e
sangue.
Ouvindo sobre a fuga de meu irmão, meu pai decidiu intervir. Ele pegou o carro
e partiu à procura de ambos. Enquanto isso, José Augusto havia caminhado mais
de seis quilômetros carregando o peso de sua trouxa, um simbolismo doloroso do
fardo que carregávamos todos os dias. Finalmente, meu pai conseguiu encontrar
os dois e os trouxe de volta para casa, mas a cena que se desenrolou diante de
mim era angustiante. Ver minha mãe tratar suas feridas, tanto físicas quanto
emocionais, foi um momento de forte reflexão.
Diante daquela situação, não pude deixar de me perguntar se esse seria o último
choque necessário para que minha mãe olhasse para sua própria trajetória e para
Deus. O peso de sua rigidez pareciam ter blindado seu coração. Infelizmente, as
marcas deixadas por uma infância repleta de dor e desprezo continuam presentes,
trazendo à tona questões fundamentais sobre o amor, a empatia e a verdadeira
essência da parentalidade.
Só quem viveu experiências tão intensas pode compreender a complexidade das
relações familiares e a profundidade dos sentimentos que nos moldam. Hoje, ao
olhar para trás, vejo que cada um de nós, como filhos, busca um lugar ao sol,
mesmo que esse caminho seja árduo e repleto de pedras. A esperança, embora
frágil, restaura um pouco de fé em um futuro onde as relações possam ser mais
justas e cheias de amor.
Havia momentos em que a dor se tornava tão intensa que me
perguntava se algum dia conseguiria escapar da realidade que vivia. Um episódio
que me marcou profundamente foi uma discussão entre meus pais que culminou em
uma cena que poderia ter mudado para sempre o curso da minha vida.
Em um dia fatídico, minha mãe estava furiosa. Era uma raiva
que costumava se direcionar a nós, os filhos, e em um momento de descontrole
emocional, meu pai implorou que eu me ajoelhasse. Ele, impotente e desgastado
pela constante tortura emocional que vivíamos, pegou um machado e, em um ato de
desespero, ameaçou acabar com aquela situação de dor. Aquela cena ficará
gravada em minha memória: a pressão do medo se misturava ao sentimento de
abandono. Quando minha mãe, percebendo o que estava prestes a acontecer,
segurou o machado, um alívio momentâneo percorreu meu corpo. Mas a verdade era
que a situação a que estávamos submetidos era insustentável. Com apenas dez
anos, me sentia um farrapo, despojado de qualquer esperança.
Durante a infância, eu e meu irmão, em especial, carregávamos pesadas
responsabilidades. Nos campos do sítio, éramos alvos de cobranças incessantes e
nos obrigávamos a realizar tarefas que iam além da nossa capacidade infantil.
Com apenas sete anos, já lavava louças e limpava a casa, e aos doze anos, a
carga aumentou e passei a ser responsável até pela lavanderia da família.
Despertávamos antes do sol nascer para trabalhar nas plantações, carregar lenha
e roçar os campos. Lembro-me das vezes em que me machucava no trabalho. O medo
de ser punido por uma lesão, que era frequentemente vista como uma fraqueza,
fazia com que eu me sentisse ainda mais preso em um ciclo de opressão. Antes
mesmo de receber o cuidado necessário, eu recebia uma surra por ter me ferido.
No sítio, havia muitas criações: galinhas, patos e outros
animais que faziam parte da nossa infância. Meu irmão Marcos, ainda pequeno e
sem compreender as consequências de seus atos, costumava jogar as galinhas na
água para que nadassem, acreditando que seria apenas uma brincadeira. Mas as
pobres aves não resistiam e acabavam morrendo afogadas. Quando minha mãe
chegava do trabalho e descobria o que havia acontecido, a reação dela era
severa: mergulhava meu irmão várias vezes dentro de uma banheira cheia d’água,
como forma de puni-lo.
Quando minha família se mudou para a cidade, as dificuldades
não desapareceram; pelo contrário, intensificaram-se. Eu e meu irmão nos
aventurávamos nas ruas, vendendo verduras, bolos feitos pela minha mãe,
cachorro-quente, sorvetes, frutas e até peixes. Essas experiências, apesar de
duras, eram também uma forma de buscar a liberdade que tanto almejava, sair um
pouco daquele espaço doentio.
Porém, a interação constante com outras pessoas nem sempre era acolhedora, eu
vivia em um estado constante de medo, frequentemente perseguido por outros
jovens em busca de me agredir. Tornava-me alvo de zombarias e gozações, e as
humilhações que enfrentava em casa se refletiam na maneira como era tratado
fora dela. As marcas das agressões físicas e emocionais que sofri deixaram
cicatrizes profundas. Lembro-me de momentos constrangedores, como quando era
forçado a vestir roupas que me envergonhavam, como uma saia sobre a calça, para
poder lavar as roupas no tanque. Essas situações me faziam sentir exposto e
vulnerável, proporcionando uma visão amarga da infância que deveria ser plena
de alegria. O terror tornou-se meu companheiro inseparável, fazendo com que eu
vivesse com medo da minha própria sombra. Essa fase difícil moldou meu caráter,
ensinando-me lições valiosas sobre resiliência e a importância de lutar por
meus sonhos.
Hoje, ao refletir sobre esse passado, percebo que as cicatrizes que carrego não
são apenas de dor, mas de superação. A luta que enfrentei na infância continua
a ressoar em mim, instigando-me a buscar um futuro onde a compaixão e a empatia
estejam sempre à frente. As memórias de meu passado, mesmo sombrias, são um
lembrete do que é essencial: amor, compreensão e um olhar gentil para o
próximo.
Não me culpo pelo passado que me moldou, mas não posso
deixar de reconhecer que minha infância foi marcante e difícil.
Os castigos não eram apenas físicos, mas psicológicos. A
cada erro, a cada queda, havia uma surra com fios de ferro ou cabos de vassoura
— tudo isso sob os olhos indiferentes de um pai que, muitas vezes, também era
vítima daquela tirania. Recordo-me de momentos em que éramos obrigados a mastigar
pimenta como forma de punição. E quando não éramos castigados por nossa mãe,
meu irmão mais velho se alternava neste papel, sufocando-nos com travesseiros
como se fôssemos brinquedos para sua diversão.
Hoje, não relato essas experiências em busca de compaixão ou
revolta. Minha jornada não me transformou em uma pessoa amarga; pelo contrário,
sou eternamente grato a Deus. Ele me conferiu forças que nem eu sabia que
possuía para enfrentar tais adversidades. Olhando para o presente, percebo como
fui moldado pelas dificuldades. Tornei-me uma pessoa bem-sucedida, em parte,
pela resiliência que adquiri.
Às vezes, questiono-me: o que teria sido de mim, se não
fosse pelo amor de Deus? Eu poderia ser um homem sem rumo, um viciado ou alguém
desprovido de esperança. Em vez disso, sou alguém que tem aprendido a amar e a
ser amado, alguém que se deixa envolver por um amor sublime que transforma a
vida.
Acredito que cada um de nós carrega em si a capacidade de superar, de renascer.
E, é por isso que escrevo. Para que minha história sirva de reflexão a quem se
encontra perdido, a quem pensa em desistir. Pode parecer que a dor é
insuportável, mas sempre há um caminho de luz que nos guia. «Porque os que
estão em Cristo Jesus, novas criaturas são. As coisas velhas se passaram, e eis
que tudo se faz novo» (II Coríntios 5:17). Que minha existência, por mais
sofrida que tenha sido, inspire outros a não desistir e a buscar a renovação
que só o amor pode proporcionar
3º
A morte de meu irmão mais velho
A Última Tarde de Sol
Diante de todos os sofrimentos vividos, ainda me restava a
esperança de ser feliz no sítio da família. As árvores, as flores e o canto dos
pássaros eram os elementos que pintavam o quadro da minha infância. Contudo, o
destino reservava-me uma amarga surpresa que mudaria minha vida para sempre.
Com apenas doze anos, nunca poderia imaginar que estaria prestes a viver uma
experiência que superaria em dor tudo o que já havia enfrentado. Era um dia
comum, ensolarado, marcado por um calor delicioso que convidava todos a se
refrescarem nas águas do rio que serpenteava pelas margens do nosso sítio. Mas
nesse 9 de fevereiro de 1979, a alegria se transformaria em desespero.
José Augusto, meu irmão mais velho, sempre cheio de vida e alegria, decidiu ser
o primeiro a mergulhar nas águas turvas. Ele tinha apenas treze anos, era uma
criança inteligente e cheia de sonhos. Quando eu, meu irmão gêmeo e nossa mãe
chegamos ao rio, uma cena que chacoalhou meu coração, José Augusto estava à
deriva, se afogando.
Com o instinto de um verdadeiro herói, minha mãe se lançou na água, sem
hesitar, na tentativa de salvar seu filho amado. O desespero tomou conta de
mim, enquanto via meu irmão gêmeo, também desesperado, tentar resgatar nossa
mãe, que desmaiou na água. Eu, paralisado pelo terror, conseguisse apenas
olhar, impotente, enquanto José Augusto emergia pela última vez, seus olhos
ainda refletindo um último pedido de ajuda.
Num momento de lucidez, consegui reunir forças e corri em direção à casa,
chamando por meu pai, implorando para que ele viesse salvar aqueles que amava.
A angústia daquele percurso pareceu se arrastar uma eternidade, mas consegui
trazê-lo a tempo. Meu pai, com sua coragem inabalável, pulou nas águas
turbulentas e conseguiu tirar minha mãe e meu irmão gêmeo, ainda com vida, mas
a tragédia não parava ali. Ele voltou para resgatar o corpo de José Augusto,
aquele que, em um instante, havia se transformado em memória e saudade.
O sítio exuberante, um verdadeiro paraíso repleto de vida e
cores vibrantes. Ali, as verduras e legumes cresciam em abundância, as flores
decoravam os canteiros com seu perfume suave e as árvores frutíferas povoavam o
pomar, oferecendo uma variedade de frutas frescas e deliciosas. O som alegre
dos animais ecoava pelo ar: porcos brincando no mangueirão, vacas pastando
tranquilamente, ovelhas e cabritos saltitando, cavalos relinchando, e um bando
de patos e galinhas vasculhando o solo em busca de grãos.
Entretanto, esse quadro idílico começou a se desfazer. O que antes era um lugar
de prosperidade logo se transformou em um deserto sem vida. Uma nuvem de
infortúnio pairou sobre o sítio, e o brilho que outrora iluminava, foi
substituído pela sombra da desolação.
Nesse cenário sombrio, com apenas doze anos, vi-me abruptamente lançado em um
papel ingrato e pesado, o de responsável. As responsabilidades triplicaram, por
tarefas domésticas e o cuidado dos meus irmãos mais novos. Elizeu Junior, um
recém-nascido frágil e indefeso, dependia de mim para receber carinho, alimento
e atenção. Ao meu lado estava Eliezer, com apenas seis anos, que também buscava
conforto e segurança em um mundo que estava se desmoronando.
Enquanto carregava essa carga, a realidade me ensinava a força que não sabia
que possuía. A cada dia, enfrentava desafios que testavam meu espírito e
resistência. Aprendi a lidar com as tarefas do lar, cultivando uma horta que
resistia bravamente à aridez emocional que nos cercava. Cuidava de meus irmãos
com a entrega de um verdadeiro guardião, tentando, de todas as formas,
preservar um pouco da alegria e da esperança que ainda restavam.
Os dias muitas vezes eram longos e pesados, mas, mesmo nas trevas, busquei
encontrar pequenas fagulhas de luz. Com um sorriso tímido, tentei trazer um
respiro de normalidade à nossa rotina, utilizando a imaginação para transformar
o que restava de nosso lar em um espaço acolhedor.
O que eu não sabia, no entanto, era que, ao assumir essa responsabilidade ainda
tão jovem, estava também semeando em meu coração a força que me acompanharia ao
longo da vida. E mesmo que o sítio estivesse enfrentando uma tempestade de
dificuldades, cada dia se tornava uma lição de resiliência, amor e esperança.
Quando o futuro se apresentava incerto, a coragem de um garoto de doze anos
começava a desenhar um novo caminho, com a promessa de que a luz, mesmo que
distante, poderia um dia voltar a brilhar sobre nosso lar.
Após a venda do nosso sítio, minha família e eu nos mudamos
para cidade, onde encontramos um novo lar em um terreno com cinco casas já
construídas por meu pai. Eu era apenas um jovem de treze anos, ingênuo em
relação ao significado do dinheiro, mas em um único momento, ao ver um pacote
de notas que meu pai havia recebido, uma voz interior sussurrou-me que um
futuro promissor estava à minha espera, muito além da quantia que eu via. Essa
experiência mística se aninhou em minha memória e me impulsionou a lutar,
sempre com honestidade, fé e amor no coração.
A vida na cidade trouxe consigo novas rotinas, mas também uma avalanche de
frustrações e tristezas. O luto pela morte de meu irmão foi um fardo que pesou
especialmente sobre minha mãe. Desesperada para encontrar respostas e conforto,
ela se lançou à busca de alternativas em várias tradições religiosas, sem abrir
mão de sua base evangélica. A dor de perder um filho a levou a explorar o
espiritismo. E, movida por uma senhora, esposa de um pastor que, em meio à sua
dor, lhe disse que o espírito de meu irmão estava agarrado por forças malignas
no inferno.
As palavras daquela mulher, que prenunciavam a tragédia, atormentaram a mente
da minha mãe, levando-a a uma crise de fé. Mesmo ciente de que a salvação é o
principal propósito na vida de uma pessoa, ela se viu perdida, navegando entre
os templos espíritas, onde os espíritos sem paz corroboravam suas angústias.
Eles diziam a ela que a questão envolvendo meu irmão pertencia apenas a Deus. A
cada visita que fazia a esses locais, mais incerta ela se tornava.
Um detalhe que sempre lembraremos é que, uma semana antes de partir, meu irmão
teve um sonho revelador. Ele viu uma mão gentil recolhendo uma rosa de um
jardim, um símbolo de beleza efêmera que prenunciava sua partida. Ele já havia
sido batizado nas águas e participava ativamente da Santa Ceia. O hino da Harpa
Cristã que mais amava cantar, "O Pai bondoso nº314", ecoa em minha
mente até hoje: “Um Pai bondoso tenho lá no céu, a Ele breve eu irei!” Essas
palavras, cheias de esperança e certeza, se tornaram um farol em meio à
escuridão que nos cercava.
Minha mãe, tomada pela dor e pela perda, não conseguia
aceitar a morte do meu irmão. A angústia foi tão profunda que logo se tornou
insuportável, levando-a a um colapso emocional que exigiu internação em um
hospital psiquiátrico. Infelizmente, o tempo que passou lá não ajudou, e quando
voltou para casa, sua mente ainda estava atormentada pela tristeza.
Seguiram-se anos sombrios. Ela, na sua busca angustiada por alívio, nos
colocava em uma posição impossível, eu e meu irmão Marcos éramos obrigados a
passar horas ou dias de joelhos, orando para que Deus a levasse desta vida,
para ver meu irmão no céu. Era uma tortura silenciosa. A pressão e o
sufocamento emocional que ela nos impunha eram imensos e, se não atendêssemos
ao seu desejo, o resultado eram castigos severos e surras constantes. A
facilidade com que as esperanças se transformavam em cobranças pesadas nos
fazia sentir como prisioneiros, tanto de sua dor quanto da nossa própria
impotência.
Com o tempo e a experiência, percebo que a dor que minha mãe vivenciou, embora
horrenda, me moldou de uma maneira que talvez eu nunca compreenda plenamente.
Hoje, ao olhar para meu papel como pai, sinto um peso ao lembrar como minha
infância foi marcada por um ciclo de tristeza. Entretanto, essa história não é
apenas uma narrativa de sofrimento, mas uma lição de resiliência. Por tudo que
suportei, sei que muitas pessoas, diante de pequenas frustrações da vida, podem
ser levadas a abandonar seus sonhos. Meu recado para elas é, se você tem um
ideal, não desista, por mais desafiador que seja; nunca é tarde para recomeçar.
Após muitos anos de desespero e lágrimas, Deus finalmente começou a restaurar a
mente da minha mãe. Sua misericórdia se manifestou através da concessão de Dons
Espirituais, permitindo que ela começasse a viver de acordo com Sua vontade.
Começaram a ocorrer milagres impressionantes por meio de suas orações—curas,
libertações e transformações que eu testemunhei, mas que mal cabem em palavras.
Essa etapa de recuperação durou entre oito e nove anos e, durante esse tempo,
minha mãe se tornou um verdadeiro canal de bênçãos.
Acredito que todo esse processo não foi apenas para a cura dela, mas também
para que ela pudesse anos depois, encontrar meu irmão em um lugar de paz, no
céu. A jornada de fé e superação me ensinou que Deus deseja nos oferecer as
bênçãos que tanto almejamos, mas que primeiro precisamos ser moldados e
transformados, produzindo frutos dignos de arrependimento. Essa lição, embora
dolorosa, é o que levo comigo, como um legado de esperança e perseverança.
A dor da perda e o caos emocional que se seguiu criaram um
desafio imenso, mas também moldaram a fibra do meu caráter. Aprendi que a fé e
a busca pela verdade são essenciais para superar os momentos difíceis. Essa
experiência me ensinou que a vida é um constante aprendizado, e que, mesmo após
as tempestades mais severas, sempre há a possibilidade de um renascimento.
Hoje, ao olhar para trás, vejo o quanto minha trajetória foi influenciada por
aqueles anos turbulentos. A resiliência, a fé e o amor que trago em meu coração
são heranças de um passado que, embora doloroso, me preparou para enfrentar os
desafios da vida de maneira íntegra. E foi com essa mesma fé que continuei a
buscar o meu lugar no mundo, sempre acreditando que um futuro melhor estava por
vir.
4º
A morte de minha mãe
Entre Milagres e Lições de Vida
Minha mãe, uma mulher de fé, como muitos, sonhava em ver reunidos os seres
amados no céu. Contudo, esse sonho traria consequências profundas que moldariam
a vida de todos ao seu redor.
Cerca de 22 anos atrás, meus pais decidiram abandonar a correria da vida em São
Paulo e escolheram a tranquilidade do interior, comprando um sítio em Cajati.
Deus, em Sua infinita sabedoria, havia um plano para minha mãe. Ela se tornou
um instrumento de milagres, acolhendo pessoas em busca de curas e orações. No
entanto, essa luz que emanava dela também atraía sombras. Críticas e
desconfianças surgiam, principalmente de alguns que se diziam evangélicos,
rotulando-a injustamente. Para eles, a manifestação dos Dons Espirituais
parecia estranha e, por isso, acusações emergiam, como um teste à sua fé.
Após quatro anos de dedicação e trabalho incansável, a vida de nossa família
mudou drasticamente. Um acidente automobilístico, que parecia ter sido
arquitetado pelo destino, se abateu sobre nós. Na fatídica data de 1º de agosto
de 1987, minha mãe não sobreviveu ao colidir nossa Kombi azul com um caminhão
na BR-116. Enquanto meu irmão caçula, Elizeu, e meu pai escaparam com vida,
minha mãe partiu para a eternidade, deixando um vazio imenso em nossos
corações. Apesar das circunstâncias, vi a mão de Deus operando: enquanto a
Kombi ficou irreconhecível, vidas foram poupadas.
Muitos podem questionar o porquê de tamanha tragédia em um lar cristão.
Acredito que, em seu amor profundo e talvez desmedido, minha mãe havia
idolatrado meu irmão José Augusto, a ponto de Deus o tirar dela e, Deus em sua
soberania, a chamou à Sua presença, cumprindo o desejo de que ela pudesse
reencontrá-lo no céu. Aprendi que tudo nesta vida é passageiro, e o que
realmente importa são as relações que construímos e a nossa conexão com Deus.
A história de minha mãe é um alerta necessário. Muitas vezes nos deixamos levar
por prioridades erradas, colocando em primeiro lugar bens materiais, conquistas
ou até mesmo os filhos, sem reconhecer o único digno de nossa adoração: Deus.
Ao longo da dor e da perda, compreendi que cada um de nós colhe aquilo que
planta. Minha mãe colheu em lágrimas e sofrimento, mas também em amor e
devoção.
O amor que sempre nutri por ela nunca diminuiu. É essa mesma paixão que me
impulsiona a escrever este livro, uma obra que realiza o sonho dela de
compartilhar suas vivências e as lições que aprendeu. Acredito que, com isso,
estou dando continuidade ao legado que ela iniciou em vida. Através de suas
histórias e ensinamentos, que possam tocar o coração de muitos e promover
reflexões sobre o que realmente importa.
Se não fosse por sua influência, talvez eu não tivesse a mesma força e
resiliência que carrego hoje. Meu desejo é que as palavras aqui escritas
inspirem outros a aprofundarem sua própria jornada espiritual e a reverem suas
prioridades. Afinal, a vida é efêmera, e o que nos resta é viver com amor, fé
e, principalmente, conexão com Aquele que nos criou. Que possamos todos
encontrar paz e propósito em nossas vidas, sempre lembrando de adorar o Deus
que nos guia e protege.
5º
O sepultamento de minha mãe
O dia que marcou a despedida da minha mãe foi um dos mais
difíceis da minha vida. Pessoas de todos os lugares, com o coração pesado pela
dor da perda, começaram a chegar ao velório, prestando suas condolências e
demonstrando solidariedade em um momento de tristeza profunda. Amigos e
familiares vieram de diversas partes do Brasil — São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba, Minas Gerais, Santa Catarina e de toda a região do Vale do Ribeira —
todos reunidos em torno daquela vila, onde o corpo da minha mãe estava sendo
velado.
A caminho do sepulcro, em meio aos labirintos daquele cemitério, um turbilhão
de pensamentos invadia minha mente. Era difícil aceitar que o corpo da minha
mãe, coberto por aquele caixão, estava prestes a ser enterrado, para nunca mais
ser visto na face da terra. O peso da perda era imensurável, e as reflexões se
estampavam nos rostos de todos que ali estavam. Ao olhar ao redor, via lágrimas
escorrendo e ouvia sussurros de adeus, ecoando em um momento de silêncio
respeitoso.
Quando o caixão começou a ser coberto por terra, um silêncio sagrado pairou no
ar. Aos poucos, a multidão, que antes se aglomerava, começou a se dispersar,
uma a uma, cada pessoa levando consigo a dor da despedida. Naquele instante,
mesmo com tantas palavras de conforto e afeto, meu coração já sentia a saudade
cortante que acompanharia minha alma por toda a vida.
Restava apenas a esperança de que um dia eu poderia rever minha mãe e meu
irmão, que também partira, agora reunidos nas moradas celestiais. Apesar de
todas as dificuldades e da forma rude com que, muitas vezes, fui tratado por
ela, o amor que sentia por minha mãe era incondicional. A gratidão preenchia
minha alma, pois foi ela quem me gerou e preparou meu caminho, mesmo nas
dificuldades.
Sou um milagre de Deus, moldado pelas experiências de vida que vivi. Ao longo
da minha jornada, aprendi que, mesmo na dor, é possível encontrar ensinamentos
valiosos. Com o passar dos anos, o legado da minha mãe se transformou em uma
luz que guia meu coração, e suas memórias continuam a viver em mim. Hoje, por
meio deste relato, desejo homenagear sua vida e seu amor, compartilhando minha
história e as lições que ela deixou. Assim, honro sua memória e sigo em frente,
sempre com a fé como meu alicerce.
6º
Meu sonho
Diante de todos os desafios que a vida me apresentou, restava-me o sonho de me
tornar alguém significativo, de lutar incansavelmente para conquistar tudo o
que um homem almeja. Desde a infância, sentia uma profunda reverência por Deus,
e procurava manter minha honestidade intacta, evitando os pecados que poderiam
desviar meu foco. A palavra de Deus sempre ressoava em meu coração com um temor
sagrado, alimentando a certeza de que, se Deus é amor, meu espírito estava
destinado a buscar esse amor incessantemente.
Era um jovem poético, apaixonado pela natureza e pelos sonhos que dança na
minha imaginação. Certa vez, em uma leitura, uma frase me tocou profundamente:
“Estava eu, em meu escritório, ao lado do meu telefone.” Estas palavras,
simples, mas sinceras, acenderam uma chama dentro de mim, lembrando-me de que
não poderia escrever sobre o que não era verdadeiro em minha vida. Assim,
comecei a sonhar em ter meu próprio escritório e telefone. Naquele tempo, o acesso
a esses objetos era restrito, e para possuí-los, era necessário mais que um
desejo: era preciso dinheiro.
Foi assim que, em meio a essa busca, recebi a oportunidade de sair da Vila onde
vivia em Cajati/SP e ir para São Paulo a passeio. Meu percurso mudou ao ser
convidado para ser gerente na área de fotografia de uma organização
filantrópica chamada “CDM” (Casa dos Mendigos). A fotografia? Nunca tinha pego
uma câmera antes. No entanto, percebi que este emprego poderia me ajudar a
conquistar aquela realidade sonhada. Aceitei o desafio, animado pela
possibilidade de finalmente ter um telefone e um escritório.
A primeira vez que segurei uma máquina fotográfica Olympus-trip, fui invadido
por um sentimento de realização. Mesmo sem saber como operar aquele equipamento,
acreditei que poderia me tornar um fotógrafo. Com o tempo, fui aprendendo e
crescendo nessa nova profissão, retornando para Cajati com um horizonte
renovado. Em 1986, minha jornada como fotógrafo profissional começou. Passei a
capturar sorrisos, paisagens e momentos especiais em festas de aniversário.
Os primeiros meses foram difíceis; eu apenas fotografava crianças em suas
casas, devido à minha inexperiência. Sob o sol escaldante dos verões, percorria
ruas e bairros oferecendo meus serviços. Havia semanas em que caminhava sem
conseguir uma única foto, mas uma voz interna me instigava a persistir. Eu
tinha um sonho a ser realizado e aquela era a oportunidade que eu tanto
esperava. O calor, a falta de sucesso e as longas caminhadas, que muitas vezes
chegavam a 40 quilômetros diários, não foram o suficiente para apagar minha
determinação de sonhar.
Após cinco meses de trabalho em Cajati, decidi voltar a São Paulo, deixando
meus pais para trás na busca de meus ideais. Ao chegar a Embu-Guaçu, novamente
mergulhei na fotografia, e comprei um livro chamado “Como fotografar
divertindo-se”. Esta obra se tornou meu guia e companheiro durante muitos anos,
junto a outros livros que venho estudando. No entanto, os primeiros anos foram
repletos de dificuldades. Enfrentei contratempos e, em algumas ocasiões,
precisei pedir dinheiro em rodoviárias, mas segui em frente, determinado a
traçar um caminho mais largo e confortável.
Cada passo incerto, cada desafio superado, moldou meu jeito e amor pela
fotografia. O que começou como um sonho tornou-se uma realidade em construção,
repleta de aprendizados e experiências que, até hoje, ecoam em meu ser. Esta é
a história de um sonhador que, apesar das dificuldades, sempre acreditou na
força de seu próprio sonho.
7º
No mundo da fotografia
Após dois intensos anos de batalhas e muitos cursos de fotografia, finalmente
fui acolhido por clientes de classe mais abastada. Aquele sonho que ardia em
meu peito estava prestes a se concretizar. A vida me surpreendeu com um convite
irresistível: começar a fotografar empresários, prefeitos, governadores,
deputados e, em um instante surreal, até mesmo o Presidente da República. O
ritmo acelerado da vida profissional me levou a cruzar caminhos com grandes
nomes da música sertaneja, como Leandro & Leonardo, Chitãozinho &
Chororó, Zezé Di Camargo & Luciano, entre outros ícones que encantam
multidões.
Minhas lentes capturaram a essência de pessoas em momentos únicos, e estive em
várias emissoras de televisão, viajando pelos mais diversos recantos do Brasil.
Em vinte anos dedicados à fotografia, não faltaram cliques para contar
histórias e registrar sentimentos. Tive o privilégio de presenciar a magia dos
grandes palcos, com suas luzes exuberantes e nuvens coloridas de fumaça. Vi de
perto fãs se esvair em amor e ternura, cantando e venerando seus ídolos, e
testemunhei lágrimas de emoção deslizarem pelas faces jovens quando a presença
de seus artistas preferidos se tornava real e palpável.
Cada apresentação era uma ilusão passageira que penetrava na alma. O que
poderia parecer apenas um show se transformava em um momento de aclamação e
entrega, onde jovens se viam em um estado de êxtase, rendendo honra e glória
aos seus ídolos. Enquanto as músicas ressoavam, a realidade cotidiana se
dissipava, mas como um instante efêmero, a euforia cedia lugar a um vazio
existencial. Assim que os holofotes se apagavam e a multidão se dispersava, o
retorno à dura realidade se tornava inevitável. O que, em muitos momentos,
percebi, é que esse vazio só poderia ser preenchido por uma força maior: Jesus,
que é o autor da vida e a única fonte capaz de conceder verdadeira satisfação à
alma.
Durante minha trajetória, aprendi diversas técnicas para aprimorar minha arte.
Desenvolvi escritórios em São Paulo e criei estúdios fotográficos, especializando-me
em moda, passarela, books, fotos de natureza e, mais importante,
fotojornalismo. Quando tudo parecia perfeito, o inesperado se apresentou. Após
quatro anos de uma carreira sólida e devidamente enraizada na política, fui
lançado ao cargo de vereador em Embu-Guaçu, com apenas 22 anos. No entanto,
vi-me prestes a enfrentar um dos desafios mais aterrorizantes da minha vida.
Naquela época, estava tão absorvido pelo dia a dia, buscando apenas o sucesso
material, que me mantinha alheio ao plano divino que Deus tinha para mim. Minha
mente fixava-se apenas no trabalho incessante, relegando meu relacionamento com
o Criador ao segundo plano. A obsessão por livros sobre sucesso desvaneceu
minha visão espiritual, e a ambição passou a guiar minhas ações. Naquele
período, minha filosofia de vida era marcada pela crença de que eu poderia
conquistar tudo por conta da minha coragem e determinação.
Contudo, Deus, que conhece cada coração, me mostrou uma verdade diferente. A
máscara que eu usava para ocultar minha real condição caiu, e percebi que tudo
que construí era passageiro e insustentável. De uma hora para outra, vi minha
vida e minha carreira desmoronarem. A realidade invadiu meu mundo e, em meio à
dor e ao desespero, entendi que o verdadeiro caminho não está nas conquistas
passageiras, mas em reconhecer e seguir o propósito que Deus tem para cada um
de nós.
A partir daquele ponto, minha vida não foi mais a mesma. O vazio que antes me
acompanhava começou a se dissipar com a certeza de que Ele está no controle
8º
Tudo começou com alguns cliques no momento errado. Na cidade onde eu morava, houve uma grande manifestação. Como repórter-fotográfico, era natural que eu estivesse lá, câmera em mãos, registrando cada detalhe. O que parecia apenas mais uma cobertura jornalística ganhou proporções inesperadas.
O protesto, que começou por volta das oito horas da manhã,
só terminou no fim do dia, após a transferência de três delinquentes que
estavam presos na delegacia. A população, revoltada, queria invadir o prédio
para linchá-los. A cena era caótica: destruição, fúria, fogo e medo. Parecia um
inferno em chamas.
Em meio à confusão, para meu espanto e terror, começaram a
ecoar gritos contra mim. Diziam que eu estava fotografando para depois entregar
as imagens à polícia e identificar os culpados. Como aquilo poderia ser
verdade? Jamais! Eu estava apenas cumprindo meu dever de repórter, registrando
os fatos para o jornal local. Até porque, além de mim, várias emissoras
nacionais e internacionais estavam no mesmo local.
Mas não adiantaram explicações. A partir dali, passei a ser
perseguido e ameaçado de morte. Foram dias de medo e angústia. Porém, mesmo nos
momentos mais sombrios, Deus sempre arruma um jeito de nos mostrar o caminho da
verdade.
E foi justamente nesse período turbulento que encontrei o
maior e mais transformador acontecimento da minha vida: o encontro com Deus.
Descobri que Ele sempre dá um jeito, sempre abre uma saída quando tudo parece
perdido. Foi assim que, no meio do caos, me voltei aos braços de meu amado Pai
celestial.
A partir daí, minha história tomou outro rumo. Não foi
apenas uma mudança de trajetória profissional, mas uma verdadeira experiência
de vida, um renascimento espiritual. Sem dúvidas, o encontro mais maravilhoso e
profundo que já vivi.
9º
Diante da tragédia, das ameaças e dos boicotes ao meu
trabalho, precisei deixar a cidade onde vivia em 1992. Saí como um fugitivo,
sem causa, deixando para trás família, amigos e um passado de sucesso e
reconhecimento. Meu pai já havia retornado a Embu-Guaçu, após a morte de minha
mãe, e eu me vi obrigado a buscar um novo começo na grande São Paulo.
Na capital, cercado por milhares de pessoas, sentia-me mais
sozinho do que nunca. A fama já não existia, e o vazio da solidão me fazia
parecer um indigente perdido na multidão. Passei fome, enfrentei humilhações e
chorei noites intermináveis. Em meu quarto simples, no lugar da janela, havia
apenas um vidro transparente que me permitia contemplar o crepúsculo. Era o
cenário da minha dor, mas também o espaço onde comecei a clamar a Deus.
Recordo-me do momento em que, com lágrimas e coração aflito,
repeti as palavras de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e
oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Naquele instante, percebi a
presença suave do Espírito Santo. Decidi, então, entregar minha vida
verdadeiramente a Deus. Embora tivesse nascido em um lar cristão, foi ali que
comecei a conhecê-Lo de fato, em sua supremacia e amor.
Foram anos de luta. Muitas vezes, meu único alimento era
arroz cozido em água e sal. A fome doía, mas a fé me sustentava. Durante dois
anos chorei, ora por ainda estar vivo, ora por não ter o que comer. Nesses
momentos, me apegava às orações transmitidas pelo Bispo Macedo às seis da
tarde. Quando tomava a água ungida, sentia como se uma anestesia suavizasse
minha dor.
A solidão poderia ter me levado ao desespero absoluto, até
mesmo ao suicídio, como acontece com tantos que não enxergam saída. Mas Deus
sempre me deu escape. Um dia, quando já não tinha forças, o Pastor em uma
reunião declarou: “Você nunca mais passará por essa situação, Deus está
entrando com providência hoje.” Horas depois, minha fome era insuportável,
quando meu irmão Eliezer, tocado por Deus, enviou uma cesta de alimentos. Ali
começou a mudança: nunca mais passei fome.
Ao longo desse período, enfrentei batalhas espirituais
intensas. Muitas vezes, andando pelas ruas de São Paulo, algo parecia me
empurrar contra os carros, mas o Espírito de Deus sempre me consolava, sussurrando
ao meu ouvido: “Não, filho. Espere mais um pouco, tenho coisas grandes a
realizar em sua vida.” Essas palavras me deram forças para seguir.
Também vivi livramentos extraordinários. Certa vez, ao remar
de caiaque na Represa Guarapiranga, fui surpreendido por ventos fortes. O
caiaque virou, e exausto, sem forças para nadar, senti que a morte se
aproximava. Mas, no momento certo, uma lancha apareceu e me resgatou da quelas
águas. Mais um sinal de que minha vida estava nas mãos de Deus.
Com o tempo, compreendi que não adiantam fama ou afetos se
não tivermos a Palavra de Deus no coração. É Ele quem escreve a nossa vitória.
Olhando para trás, sei que sobrevivi porque Deus sempre esteve comigo,
sustentando-me em cada passo, transformando dor em testemunho.
Após dois anos e meio de humilhações, mas também de
amadurecimento espiritual, decidi dar forma a um sonho antigo: escrever um
livro. Comecei em 1994, mas percebi que ainda não era o momento e interrompi o
projeto. Continuei buscando a Deus, o único Salvador da minha vida, certo de
que minha história existe para glorificar o Seu nome e servir de ânimo àqueles
que hoje passam por dores semelhantes.
Eu sou um milagre de Deus. E minha vida, com todas as quedas
e livramentos, é prova viva de que, para Ele, não existe impossível.
11º
Jogador Palhinha
Durante o período em que vivi na grande São Paulo, atuei
como repórter-fotográfico em diversos jornais da região. Recebia algumas
gorjetas pelos trabalhos prestados e, para alguém que não conhecia ninguém
naquele lugar e não tinha rumo definido, essa oportunidade foi valiosa para o
meu currículo. Passei a adquirir mais experiência em minha profissão e, mais
uma vez, pude perceber que Deus sempre abre um escape para os seus filhos. Ele
nos ilumina para que não pereçamos, e essa fase representou para mim um
aprendizado muito importante.
Em certo momento, percebi que ainda não era a hora de
escrever o livro. Contudo, ouvindo uma rádio evangélica, algo despertou dentro
de mim: senti o impulso de criar um jornal evangélico. Eu estava com “sede” de
falar sobre o Jesus que eu havia conhecido de forma verdadeira e
transformadora. Meu coração ardia de amor pela Palavra, que salva e torna os
homens vencedores.
Com a experiência adquirida no jornalismo e alguns contatos
que já possuía na Zona Sul de São Paulo, iniciei a produção do Jornal
Alvorada. Hoje reconheço que esse projeto foi também uma preparação para
que eu tivesse condições de escrever este livro. Buscando inspiração na Bíblia,
encontrei em Malaquias 4:2 a palavra que norteou o jornal: “Mas para vós que
temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça.” Essa mensagem, carregada de
vitória, salvação e justiça divina, revelou-se o alicerce para o nome Alvorada
— o alvorecer do Sol da Justiça.
Mesmo sem recursos financeiros, mas com um desejo ardente de
anunciar ao mundo a eternidade de Deus, lancei o jornal em 1994, justamente na
semana em que faleceu Ayrton Senna, um momento marcante para o Brasil. A partir
dali, comecei a ver milagres extraordinários em minha vida, experimentando de
perto a mão de Deus em situações surpreendentes.
Essa nova jornada abriu caminhos que eu jamais imaginava
trilhar. Embora financeiramente o retorno ainda fosse modesto, era o início de
uma trajetória promissora. Continuei atuando como fotógrafo em outros jornais
e, ao mesmo tempo, editando mensalmente o Jornal Alvorada. Com o tempo,
fui conquistando novas amizades e expandindo meu círculo de relacionamentos na
grande São Paulo, onde mantenho até hoje o reconhecimento e o carinho de
muitos.
11º
Depois de tudo o que vivi, jamais poderia imaginar que Deus,
com Seu infinito poder, cumpriria a promessa que me fizera: eu voltaria a andar
pelas ruas daquela cidade de onde havia fugido. Para minha surpresa, lá estava
eu novamente em Embu-Guaçu. O retorno aconteceu após três anos de muita
humilhação, mas também de grandes conquistas. Estava de volta ao lar, junto da
minha família, brilhando como nunca, exercendo com ainda mais paixão tudo o que
havia aprendido em minha profissão.
A fotografia ganhou um novo encanto em minha vida. Passei a
sobrevoar São Paulo e região em helicópteros e aviões, registrando cenários e
acontecimentos de ângulos que antes me pareciam inatingíveis. Deus é fiel, e
sempre vela pela Sua palavra. Cada dia que passava, as humilhações que me
marcaram se transformavam em lembranças distantes. Tudo se fazia novo diante
dos meus olhos.
Eu não era mais apenas o fotógrafo iniciante de outrora. A
experiência de vida, somada à dedicação e à profissão, me levou a ser
reconhecido e outorgado como jornalista, exercendo a função de
repórter-fotográfico pela FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas
Profissionais. Mais uma vez, tudo isso eu atribuo ao meu Deus, que me sustentou
até aqui.
Confesso que, muitas vezes, não consigo conter a emoção por
servir a um Deus tão sublime, que guarda e livra os Seus filhos, fazendo-nos
mais que vencedores. Ao olhar para trás, percebo que tudo o que me aconteceu
foi muito além dos meus próprios pensamentos. Enfim, voltei ao lar paterno com
vida, saúde e esperança renovada.
Laços de morte me cercaram, armadilhas do inimigo tentaram
me destruir, mas Deus me livrou de todas elas. Hoje, diante das circunstâncias
que enfrentei, mal consigo acreditar que atravessei tudo em plena consciência e
sobriedade. Só a mão de Deus poderia ter me preservado intacto em meio a tantas
catástrofes.
Aprendi, ao longo dessa caminhada, que é preciso ter amor no
coração e lealdade inabalável ao nosso Criador para permanecer firme e seguir
adiante. E assim sigo, convicto de que minha vida é prova viva da fidelidade de
Deus.
12º
Não poderia deixar de relatar um aspecto profundo e valioso
de minha trajetória: a vida sentimental. Durante muitos anos, mesmo em momentos
em que estive distante da plenitude de uma vida com Deus, sempre preservei no
coração o temor de não me entregar aos desejos passageiros da lubricidade. Em
minhas orações, pedia constantemente que o Senhor colocasse em meu caminho a
pessoa certa, aquela com quem eu pudesse compartilhar a vida e viver em amor
até que a morte nos separasse.
E Deus, em Sua infinita bondade, atendeu ao desejo do meu
coração. Entre tantas lutas e conquistas profissionais, surgiu também a maior
de todas as bênçãos: o reencontro com o amor verdadeiro. Ao retornar para
Embu-Guaçu, estando próximo de minha família, tive a alegria de reencontrar
Vanderléia, a mesma jovem com quem havia namorado por três anos em Cajati. Após
o término, ficamos cinco anos afastados, mas o destino, guiado pelas mãos
divinas, nos colocou frente a frente mais uma vez.
Retomamos o namoro e, em apenas seis meses, selamos o
compromisso do matrimônio. Hoje compreendo que talvez não tenha tudo o que um
dia sonhei, mas posso afirmar, com convicção, que amo tudo aquilo que Deus me
concedeu. Vivo repetindo a mesma certeza, o Senhor tem sido fiel em todos os
detalhes, até mesmo naqueles que, à primeira vista, parecem pequenos ou
insignificantes.
Nestes dez anos de união, eu e minha esposa temos vivido uma
história de amor e de fé. Após um ano e meio de casados, fomos agraciados com a
chegada de nosso filho, Vinícius Galikoski, a maior prova do cuidado de Deus
conosco. Formamos, assim, uma família unida em Cristo.
As adversidades também estiveram presentes, pois o dia a dia
traz consigo lutas e desafios, mas juntos aprendemos a superar cada obstáculo.
Deus tem nos capacitado para sermos mais que vencedores em Cristo Jesus,
permitindo que sejamos testemunhas vivas de Sua majestade. Muitas vezes
enfrentamos sofrimentos e situações que pareciam ameaçadoras, mas hoje entendo
que cada prova foi apenas uma preparação para nos fazer subir mais um degrau na
escada da vida.
Após tudo o que vivi, não há um só instante em que eu deixe
de olhar para o meu Mestre Jesus. Foi n’Ele que encontrei forças para resistir,
lutar e vencer. Pois somente em Jesus existe alento verdadeiro para a alma que,
sem Ele, seria triste e vazia.
13º
Depois de um casamento repleto de sonhos e esperanças, eu e
minha esposa nos vimos às voltas com dificuldades financeiras que pareciam
intransponíveis. Após a cerimônia de casamento, três anos depois a realidade
nos atingiu com força: a escassez se instalou em nosso lar, e as portas de
oportunidades pareciam se fechar uma após a outra.
As noites eram preenchidas com inquietação, enquanto eu me
esforçava para garantir o básico para minha família. A frustração de não
conseguir proporcionar o que minha esposa e meu pequeno filho de dois anos
precisavam era imensa. As lágrimas de minha esposa, marcadas pela falta de
comida e roupas adequadas, representavam a dor que muitas famílias enfrentam em
momentos de crise.
A experiência foi um verdadeiro teste de fé e resiliência.
Encontrei-me em um momento de desespero, onde o peso das dificuldades me jogou
em um poço profundo, espiritualmente. Entretanto, acredito genuinamente que
Deus permitiu essas dificuldades para que Sua glória pudesse se manifestar em
nossa história.
Nos momentos de tribulação, percebi a importância de ter uma
companheira ao meu lado. Minha esposa não apenas compartilhou a carga, mas
também manteve viva a chama da esperança, acreditando que Deus abriria novas
portas para nós. Sua fé inabalável foi a âncora que nos sustentou em meio à
tempestade. Sem ela, nosso casamento poderia muito bem ter se desfeito diante
do peso da adversidade.
Vivemos períodos de transição, onde a falta de recursos nos
levou a morar temporariamente na casa de amigos, com nossos móveis empilhados e
nossos sonhos um tanto desfeitos. Após muitas peregrinações, decidimos voltar
para Cajati, onde temos permanecido por mais de seis anos. Esse retorno trouxe
um novo fôlego, e sentimo-nos juntos, mais fortes e determinados.
Hoje, testemunho as promessas de Deus se cumprindo em nossas
vidas. As bênçãos que antes pareciam distantes agora transbordam em nosso lar.
Cada dia é um motivo de gratidão, pois não sou eu que falo, mas Deus que se
manifesta em nossas vidas. E assim, mantenho a certeza de que, onde quer que
estejamos, Ele cumprirá Seus propósitos e nos guiará por caminhos de vitória.
A jornada do sofrimento nos ensinou lições valiosas. O amor,
a fé e a perseverança se tornaram alicerces inabaláveis em nossa vida. Com a
certeza de que a vida é cheia de altos e baixos, seguimos em frente, sempre em
busca da luz que brilha após a tempestade, prontos para acolher cada nova
bênção que Deus nos reserva.
14º
Um Grito Para Liberdade
Desde cedo enfrentei marcas profundas em minha vida. O medo
e o constrangimento tantas vezes me calaram, mas hoje decidi revelar algo que
sempre esteve presente na minha caminhada: a prática do naturismo.
Para alguns, pode parecer apenas exibicionismo, mas para mim
sempre significou reencontro e superação. Quando me despia, encontrava uma
forma de me libertar das marcas psicológicas deixadas por palavras duras que me
acompanharam desde a infância. Era o meu modo de enfrentar dores internas e me
reconciliar comigo mesmo.
Na puberdade, os apelidos desumanos continuaram. Vinham da
família e da escola, alimentando feridas que já existiam desde cedo,
principalmente por causa da imposição de minha mãe em me fazer usar saia.
Porém, no íntimo, eu sabia quem eu era: um homem normal, saudável e completo,
porque Deus assim me fez.
Apesar dos traumas, consegui construir uma família sólida e
feliz. Sempre levei a sério os princípios da fé cristã. Mesmo atravessando a
adolescência sem conhecer o próprio corpo, já praticava o naturismo de forma
inocente, nadando em rios ou na banheira sem enxergar malícia nisso.
Mais tarde, conheci a Praia do Pinho, em Santa Catarina, um
espaço naturista reconhecido no Brasil. Ali encontrei famílias inteiras —
crianças, jovens, adultos e idosos — despidos não apenas de roupas, mas também
de preconceitos. Percebi que o naturismo não era algo isolado em mim, mas uma
forma de muitas pessoas buscarem liberdade, respeito e reconciliação consigo
mesmas.
Não escrevo este relato para convencer ninguém, nem para
definir o que é certo ou errado. Escrevo para compartilhar a verdade da minha
história e permitir que cada pessoa tire suas próprias conclusões.
Passei por períodos de depressão em que buscava alívio
simplesmente me despindo diante da natureza. Sofri preconceitos, fui julgado e
incompreendido. Mas deixo claro: nunca associei essa prática a pecados ou
intenções ilícitas. Mesmo na fragilidade, preservei meus valores.
Hoje, não sou mais prisioneiro dessas dores. Cristo me
resgatou e me fez uma nova criatura. Foi Nele que encontrei a verdadeira
liberdade.
Se exponho essa parte delicada da minha vida, é porque não
quero mais me esconder. Este é o meu testemunho: um grito para a liberdade.
A liberdade de ser sincero.
A liberdade de assumir minhas marcas.
E, acima de tudo, a liberdade de reconhecer que Deus é
poderoso para transformar qualquer área da vida humana.
15º
Esse era o reflexo do estado em que me encontrava, um
verdadeiro tédio infernal. Aos poucos, fui me tornando um estranho em meio à
sociedade, alguém que só desejava se esconder, não ver ninguém, desaparecer.
Eram sinais claros de uma depressão que já havia tomado conta do meu ser. Eu
existia, mas não vivia.
Foi justamente essa condição que me levou ao Vale do
Ribeira. No fundo, eu sabia que ali poderia reencontrar forças para me
reerguer. E não me enganei. O tempo foi passando e, em apenas um ano morando
nesse lugar, tão belo e maravilhoso, experimentei uma cura surpreendente.
A própria natureza se encarregou de restaurar o que estava
despedaçado dentro de mim. O verde das matas, o canto dos pássaros, o frescor
dos rios e o silêncio acolhedor das paisagens foram, pouco a pouco, arrancando
de mim a sombra da depressão. Em meio a esse cenário, recuperei o gosto pela
vida e voltei a respirar em paz.
Hoje posso dizer, com toda convicção, que estou livre para
viver plenamente, feliz com Deus e em harmonia com todos ao meu redor. Ainda
que mil palavras fossem escritas, jamais conseguiriam descrever a profundidade
do que vivi na escuridão da minha alma.
Mas uma coisa permaneceu intacta, mesmo nos momentos mais
sombrios: a certeza das promessas de Deus sobre mim. Sempre acreditei que Ele é
fiel para cumprir cada palavra, e hoje vejo essa fidelidade se manifestando em
minha vida, independentemente das circunstâncias.
Cajati não foi apenas uma mudança de cidade. Foi um
recomeço, um marco da restauração que só Deus poderia realizar.
Proteção nas Estradas da Vida
Nestes anos vividos no Vale do Ribeira — terra encantada por
suas magníficas cachoeiras, cavernas e pela exuberância da fauna e flora —
percorri mais de duzentos e vinte mil quilômetros pelas estradas, conduzindo
carros e motos que possuí ao longo do tempo. Foram incontáveis viagens, cada
uma trazendo histórias, experiências e também grandes riscos.
Nessas andanças, presenciei inúmeros acidentes, alguns dos
mais terríveis que se possa imaginar, inclusive com vítimas fatais. Foram cenas
que marcaram minha memória e me fizeram refletir sobre a fragilidade da vida.
Muitas vezes, também eu estive cara a cara com a morte, em situações
inesperadas na conhecida “Rodovia da Morte”, a BR-116.
Houve momentos em que só me restava improvisar, agir no
instinto, e ainda assim, escapar parecia impossível. Mas em todas as ocasiões
eu pude sentir que a mão de Deus estava comigo, guardando-me dos laços mortais
que me cercavam. A cada livramento, reconhecia Sua misericórdia e proteção.
Pouco tempo antes de concluir este livro, vivi um dos
episódios mais marcantes dessa trajetória. Sofri um acidente gravíssimo:
capotei o carro justamente na BR-116, a mesma estrada onde tanto percorri e
tantas vezes enfrentei perigos. O impacto foi grande, mas, para a glória de
Deus, não sofri sequer um arranhão.
Esse episódio foi mais uma prova incontestável de que o
Senhor sempre esteve ao meu lado, livrando-me e confirmando que Sua fidelidade
é maior que qualquer ameaça.
Moldado pelo Fogo da Vida
Muitas vezes me ajoelho e agradeço a Deus pelo simples fato
de estar vivo. Sei que não compreendo todos os mistérios d’Ele sobre minha
existência, mas tenho a convicção de que se permaneço aqui é porque Deus ainda
tem algo maior a realizar através da minha vida. É sobrenatural.
Aprendi a dar glórias a Ele em todas as circunstâncias,
porque está no controle de tudo. Foi neste Vale que encontrei a paz que tanto
almejava e passei a compreender melhor o propósito de Deus para a humanidade. O
mais importante, descobri, é adorar e louvar ao Senhor com gratidão, pois para
isso fomos criados, à Sua imagem e semelhança.
Hoje já posso contemplar o sol da justiça brilhando sobre
mim. Os milagres tornaram-se visíveis, e mesmo diante das lutas mais intensas,
jamais deixei de sonhar. Muito devo à minha querida esposa, que nunca se
levantou contra mim, nunca me acusou ou me abandonou. Ao contrário, foi sempre
companheira fiel, estendendo-me a mão quando mais precisei. Somos, juntos, um
milagre de Deus e mais que vencedores em Cristo Jesus.
O vento soprou contra nós com fúria, trazendo ondas gigantes
que ameaçavam nos afogar. Mas resistimos a tudo, porque o Senhor nunca nos
abandonou. Hoje compreendo o porquê de tantas provações: a Palavra de Deus nos
garante que não enfrentamos tribulações além do que podemos suportar.
Se desde a infância passei por dores e traumas, foi porque
Deus tinha um propósito maior: me ungir para levar aos necessitados e cativos
uma mensagem de fé, vida e esperança. Hoje posso afirmar com convicção: eu
conheço quem é Deus, porque vivi experiências tremendas com meu Mestre.
Fui amassado, quebrado e triturado pelas circunstâncias da
vida, mas delas saí moldado. Tornei-me um homem experimentado em diversas áreas
da existência, e justamente por isso jamais posso desdenhar a dor de ninguém —
porque cada dor é única. Cabe a mim apenas oferecer alívio, estender a mão, ser
um instrumento de consolo.
Para isso, coloco-me totalmente à disposição do Senhor,
desejando ser um servo agradável e fiel, pronto para cumprir Sua vontade.
16º
Dissipem-se as trevas
Muitas vezes pensei em fugir de tudo, mas logo me
perguntava: para onde iria, se Deus está em todos os lugares? Em alguns
momentos, a dor e o desespero foram tão intensos que cogitei dar cabo da minha
própria vida, mas a lembrança da Palavra de Deus me advertia: “os covardes não
terão parte no Reino de Deus”. E foi justamente em uma dessas horas de aflição,
quando clamei aos céus em um grito de socorro, que ouvi dentro de mim uma voz
suave e firme do Senhor dizendo: “Filho, estou contigo até o fim. Estou te
vendo, não temas. Apenas busque a minha face e verás o que vou fazer contigo.
Descanse em mim. Creia tão somente e contemple a minha glória nascendo sobre
ti”.
Essas palavras mudaram meu caminho. A fé foi reacendida em
meu coração e percebi que nunca estive sozinho. Deus sempre me sustentou, mesmo
quando eu era ingrato, mesmo quando me afastava da Sua vontade. Posso afirmar
com convicção: todas as vezes que precisei, o Senhor nunca me abandonou. Sou
prova viva das maravilhas que Ele realiza.
Houve tempos em que cheguei à igreja sem forças,
arrastando-me como um morto-vivo. Mas, ao ouvir os cânticos e a Palavra sendo
ministrada, o Espírito Santo derramava sobre mim bálsamo, perdão e
misericórdia. Eu entrava vazio e saía renovado, flutuando, com lágrimas nos
olhos, mas com o coração cheio de vida. Foram nesses encontros com Deus que
compreendi que, por mais que eu fracassasse ou me sentisse indigno, Ele sempre
me amava e estava pronto a me reerguer.
Na vida profissional, também enfrentei muitas quedas.
Empresas abertas com tanto esforço, que logo fechavam. Busquei sucesso com
minhas próprias forças e muitas vezes falhei, porque ainda não tinha entendido
que o verdadeiro êxito vem das mãos de Deus. Em minha ignorância, fui desonesto
comigo mesmo e com o propósito que Ele havia estabelecido para minha vida. Quem
tem um chamado não pode fugir — cedo ou tarde, aprende que é preciso se
entregar totalmente à vontade do Pai.
Hoje, compreendo que o que Deus deseja de mim é simples:
amor, fidelidade e perseverança. Nós é que complicamos o plano de Deus. Ele nos
deu as Escrituras como guia, mas muitas vezes insistimos em trilhar caminhos
próprios. Aprendi, com dor, que somente ao entregar meu coração por inteiro a
Cristo pude experimentar a verdadeira transformação: a água da minha vida
amarga foi transformada em vinho novo, cheio de alegria e significado.
Sou casado, tenho uma família feliz e sou um pai amoroso.
Deus me deu um lar, carro, minha casa própria e a bênção de exercer minhas
profissões. Atuo como repórter-fotográfico na era digital, faço fotos aéreas e
cartões-postais de várias cidades do Brasil, e continuo meu trabalho como
diretor do Jornal Alvorada. Cada conquista é fruto da graça de Deus, pois tudo
que tenho e sou pertence a Ele.
Se você, que lê estas linhas, está passando pelo que eu já
vivi, saiba: ainda há esperança. Busque a Deus com toda sua alma, com todo o
entendimento, e verá o coração arder de uma maneira que só o Espírito Santo
pode realizar. Não importa o tamanho da dor ou a profundidade da queda, Deus
pode transformar sua vida em um milagre, como fez comigo.
Hoje posso declarar com plena certeza: eu venci, porque
Cristo venceu por mim. Sou um milagre vivo da graça de Deus. E, enquanto tiver
fôlego, seguirei proclamando ao mundo que não existe amor maior, nem força mais
poderosa, do que a do nosso Senhor Jesus Cristo.
17º
Vivemos em um mundo invisível demais. Se os nossos olhos
carnais pudessem enxergar a realidade espiritual que nos cerca, jamais
viveríamos como vivemos. Às vezes, essa dimensão até se torna perceptível,
quando a obscuridade invade a nossa mente e coração, deixando transparecer que
há algo além do que é visível.
Muitas pessoas vivem nesse universo de perturbação, cercadas
por transtornos constantes e obstáculos sem fim. E, na tentativa de escapar
desse peso, buscam refúgio nas delícias da carne, nas paixões momentâneas e nas
concupiscências que parecem oferecer prazer e alívio. Contudo, a ilusão dura
pouco: o manto do pecado cai e o que já era ruim se torna ainda pior. O inimigo
da alma, que outrora ofereceu pratos belos e coloridos como se fossem banquetes
irresistíveis, passa a zombar, trazendo acusações e tormentos ainda maiores.
Assim, o homem se vê acorrentado, preso em grilhões e cercado pelas portas de
ferro do inferno.
Foi nessa realidade que muitas vezes me encontrei, vivendo
humilhações e enfrentando batalhas internas profundas. Mas, quando finalmente
passei a enxergar o mundo espiritual através do sangue de Jesus Cristo — sangue
derramado na cruz por amor a nós —, a minha visão mudou por completo.
Compreendi meus erros, reconheci meus pecados e me entreguei a Deus como um
pecador arrependido.
Naquele instante, tudo se transformou. O que antes era
escuridão, agora passou a ser luz. Vi Jesus de braços abertos, não em zombaria,
mas em amor e alegria, pronto para me acolher como Seu filho. Essa entrega
abriu diante de mim uma nova fase de vida: liberdade verdadeira, paz no coração
e expressão renovada.
O sangue de Jesus tem poder para transformar qualquer
história. Por mais profundo que seja o poço em que alguém tenha caído, por mais
pesada que seja a cadeia que prende a alma, Deus é maior. Ele é capaz de
libertar, restaurar e dar vida em abundância.
Eu sou prova disso. Deus transformou a minha história de
derrotas em vitórias, a minha dor em esperança e a minha vida em testemunho de
fé. Hoje posso afirmar com toda convicção: sou mais que vencedor em Cristo
Jesus.
E é com alegria que desejo a você o mesmo caminho de
transformação. Não se entregue à solidão, nem aos falsos prazeres da carne que
só levam à destruição. Entregue os seus caminhos ao Senhor, confie nEle, e Ele
fará infinitamente mais do que você pode imaginar.
Assim como eu acreditei e fui mudado, você também pode
experimentar essa mesma graça. Hoje sou feliz, plenamente feliz, porque
encontrei a verdadeira paz ao lado do meu Mestre e Salvador: Jesus Cristo.
18º
Em meio aos labirintos da vida, outrora caminhei
desnorteado, deixando-me conduzir pelas necedades que invadiam minha alma.
Tornei-me um nômade interior, perdido diante das incertezas e dos inefáveis que
me cercavam em cada passo da trajetória.
Mas em meio a essa confusão, uma simples frase atravessou
minha história como uma flecha certeira: “Jesus te ama”. Nada neste mundo foi
capaz de substituir o impacto dessas palavras em minha vida.
Desde aquele momento, passei a contemplar a grandiosidade
imensurável do amor de Cristo. Um amor que não se explica, apenas se sente, e
que passou a conduzir meus dias de forma sobrenatural. Quando falo sobre esse
amor, meu coração se enche de paz e alegria. As trevas que antes me
aprisionavam se dissiparam, e a luz do Sol da Justiça começou a raiar em meu
interior. Uma leve brisa do Espírito Santo passou a pairar sobre meu ser,
tornando meus olhos brilhantes como nunca antes haviam sido.
Passei a compreender que as riquezas de Deus superam
qualquer tesouro humano, maior que ouro finíssimo ou pedras preciosas. E ao
olhar para as Escrituras, entendi a verdade expressa em Romanos 3:23: “Todos
pecaram e carecem da glória de Deus”. O pecado nos afasta do Criador, mas o
amor de Jesus nos reconcilia com Ele, pois foi por esse amor incondicional que
Cristo entregou a própria vida.
Hoje, sou testemunha ocular dessa transformação. Vivi a
passagem das trevas para a luz. Não importam as condições materiais de uma
pessoa — seja ela rica ou pobre, cheia de recursos ou carente de tudo. O que
realmente importa é conhecer este Jesus que salva, liberta e dá vida em
abundância.
Sei o que significa viver aflito, cansado e desiludido. Sei
também o que significa encontrar descanso e segurança na presença de Deus.
Minha vida é prova viva de que o evangelho é poder para mudar destinos.
Por isso, meu desejo sincero é que você, ao ler estas
palavras, abra o coração para este mesmo amor. A salvação é individual, e o
tempo é urgente. Jesus está próximo, e Ele mesmo nos adverte: “Guarda o que
tens, para que ninguém tome a tua coroa”.
Não se engane: Deus é amor, mas também é justiça. O homem
ceifa exatamente o que planta. Ainda assim, Cristo oferece a oportunidade de um
recomeço, de uma vida transformada, de uma eternidade assegurada.
O mundo pode até ignorar este amor infinito, mas eu não
poderia deixar de testemunhar. Desejo, de todo coração, que você experimente o
mesmo bálsamo de Jesus que mudou meu viver. Que sua alma seja invadida por esta
paz, e que sua vida seja marcada por esta certeza: Jesus te ama e quer te
salvar.
19º
Minha Oração em Gratidão a Deus
Ao olhar para trás e recordar os caminhos por onde andei,
não posso deixar de elevar minha alma em gratidão ao Pai. Foram muitas as
dificuldades, obscuridades e lutas que marcaram minha história. No entanto, em
todas elas, o Senhor se fez presente, sustentando-me com Sua mão poderosa e
dando-me forças para superar os traumas e dores que carreguei ao longo da
jornada.
Hoje, reconheço que se não fosse o amor e a misericórdia de
Deus, eu não estaria de pé. Ele me colocou em lugares de honra, abriu portas
que jamais imaginei atravessar e, acima de tudo, me concedeu uma vida
transformada pela graça. Bendito seja o Senhor, que nunca me abandonou nem
permitiu que as armas do inimigo prevalecessem contra mim.
Nos detalhes da vida, aqueles que muitas vezes parecem
insignificantes, eu pude enxergar a presença de Jesus. Foi Ele quem me amparou
nos dias difíceis, quem me guardou do mal e quem transformou minhas dores em
vitórias. Hoje posso dizer que conheço a Deus de perto, não apenas de ouvir
falar, mas de experimentar o Seu cuidado em minha própria vida.
Por isso, minha alma se derrama em louvor. Louvarei o Senhor
em Seus átrios, entre os Querubins, porque Ele é digno de toda exaltação. É
d’Ele a razão pela qual não fomos consumidos. Seu amor é eterno, Suas
misericórdias não têm fim.
E nesta oração, não posso deixar de interceder também por
você que lê estas palavras. Oro para que o mesmo Deus que me sustentou em meio
às trevas seja aquele que venha ao encontro da sua vida. Que Ele conceda cura
às suas feridas, alívio ao seu coração aflito e milagres à sua jornada. Assim
como o Senhor foi generoso comigo, sei que será também generoso com todo aquele
que n’Ele confia.
Receba esta oração como um convite para experimentar o
cuidado divino. Creia que o Senhor Jesus continua a operar maravilhas, e que
Seu nome será exaltado para todo o sempre.
Amém!
Na escuridão do pensamento
Na escuridão do meu cérebro febril;
trago lembranças sórdidas do meu viver
quão a uma criança indefesa aos infortúnios.
A cobardia invadia minha alma,
tentando roubar-me o mais precioso;
o intelecto da vida humana.
Sinto através do tempo a maldade tentando
Arrancar de minhas entranhas
o perfume suave do amor.
Mas, esta essência do amor,
tem esquadrinhado o meu ser,
tornando-me capaz de viver sempre o impossível.
Vi-me fisicamente acorrentado no calabouço espantoso,
nos esgotos e na lama que a vida me conduziu,
anestesiado pelos icebergs na alma.
Mas com a certeza de um lindo raio de sol aquecer-me.
Quando criança, um mal trapilho,
pé descalço no chão de barro.
Queimado do sol abrasador,
rastelando folhas secas pelo chão,
ou cortando lenha com machado,
para o jantar a luz de velas.
Às vezes vivendo por viver,
mas no agente da alma,
uma esperança no porvir.
A vida me proporcionaria muitas intempéries.
Mas a chama do querer inundou meu coração
com grandes realizações, trazendo-me o
luminoso sol da justiça sobre minha existência.
Sei que havia dois caminhos para uma escolha,
por motivos da infelicidade; mas Deus brioso e Santo,
proferiu evidências ao amor.
Trazendo o bálsamo da ternura sobre minha alma cansada.
Hoje a emoção faz parte de minha vivência,
tenho compreendido o verdadeiro sentido de viver,
sonhar, superar os traumas das noites sombrias,
sob um luar dourado no lacrimejar de minha alma.
Hoje deslumbro como herói, os marasmos vividos
em minha infância e juventude.
Tenho galgado com amor, coragem e determinação
Todos os acabrunhamentos nesta rica história de vida.
Porfiarei para sempre este amor intenso que me faz feliz.
Querer é poder!...
Contra-Capa
Num relato emocionante e verdadeiro, o autor Luiz Marco
compartilha os caminhos tortuosos e as intempéries de sua vida até chegar ao
maior e mais infinito encontro: o encontro com Deus.
Da infância marcada por maus-tratos maternos à dor
irreparável da perda do irmão mais velho; das privações severas, inclusive da
falta de alimento, aos altos e baixos enfrentados ao longo de sua carreira,
este livro revela a história de um homem que jamais deixou de acreditar no
impossível.
Quando tudo parecia perdido, Luiz Marco experimentou as
graças e misericórdias do Senhor, que lhe deu forças para lutar e lhe mostrou,
por meio de gestos de amor, que jamais o abandonaria. Hoje, ele se reconhece
como “Um Milagre de Deus”, testemunha viva de que a fé é capaz de transformar
destinos.
Com esta obra, o autor realiza o sonho de dividir
experiências pessoais, lutas e vitórias, oferecendo ao leitor a oportunidade de
enxergar que há sempre uma saída quando se encontra o bálsamo do amor divino.
Sua missão, talvez a maior traçada por Deus em sua vida, é justamente esta:
alcançar corações aflitos, mostrar que a luz pode dissipar qualquer escuridão e
que a esperança é sempre possível.
“Sou um milagre de Deus, por ter suportado o inverno álgido
da minha alma. Hoje tudo me parece flóreo ao redor. Quando o sol veio com sua
luz resplandecente, passei a ver Jesus. Agora, compenetrado no brilho dessa
luz, trago em minha alma uma filosofia de vida: ‘Querer é poder’. A Bíblia
Sagrada me dá este direito!’
Luiz Marco




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